PDT adia decisão sobre alianças no Paraná

A indefinição paralisou as decisões no PMDB e no PT, interessados em uma coligação com os pedetistas para reforçar a candidatura de Dilma

Evandro Fadel, de O Estado de S.Paulo

28 de junho de 2010 | 18h27

CURITIBA - A definição sobre os palanques tanto para as eleições estaduais do Paraná quanto para os apoios às candidaturas de José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) ficará para os últimos minutos do prazo final estabelecido pela legislação eleitoral. O PDT, do senador Osmar Dias, responsável pelo impasse, adiou a convenção que realizaria amanhã para quarta-feira, dia 30. Nesta quinta-feira, 28, o senador passou o dia em reuniões, em sala fechada, de acordo com assessores. A indefinição paralisou as decisões no PMDB e no PT, interessados em uma coligação com os pedetistas para reforçar a candidatura de Dilma.      

 

 

 

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Na nota em que comunicou o adiamento da reunião em "caráter de urgência", o PDT ressaltou que o motivo é a "melhor adequação da formatação das alianças". "À meia-noite do dia 30 ficam esgotados os prazos legais, então temos um espaço de tempo ainda", ponderou o presidente do PMDB, deputado estadual Waldyr Pugliesi. Os partidos estão a reboque da confirmação ou não do senador Alvaro Dias (PSDB) como vice de Serra. "Veio complicar a resolução que nós estávamos encaminhando aqui porque o senador Osmar Dias ficou numa posição desconfortável perante a família com essa possível candidatura do irmão", disse o peemedebista. A resolução praticamente definida era uma candidatura de Osmar ao governo.

Ao disputar as eleições de 2006 contra o ex-governador Roberto Requião (PMDB), Osmar Dias fez 2.658.132 votos, perdendo o cargo por 10.479 votos. Na única pesquisa divulgada até agora, o Vox Populi, a pedido da Rede Bandeirantes, ouviu 700 eleitores entre os dias 8 e 10 de maio. Richa ficou com 40% das intenções de voto, enquanto Osmar teve 33% e Pessuti apareceu na terceira colocação com 10%. Também foram apontados Rubens Bueno (PPS), com 3%, Luiz Felipe Bergman (PSOL), com 1%, e Paulo Salamuni (PV), também com 1%. O candidato Lineu Tomass (PMN) teve menos de 1%.

Com boa votação na última eleição, bom trânsito entre prefeitos do interior do Estado e um índice alto na pesquisa, o senador Osmar Dias passou a ser disputado pelos dois lados. Amigo de Serra e ex-filiado ao PSDB, ele sempre esteve com os tucanos em eleições no Paraná, tanto que chegou a consultar a direção nacional sobre a possibilidade de mais uma coligação, o que foi negado. Por outro lado, como integrante da base do governo Lula, também é cortejado para que Dilma tenha palanque forte no Estado.

O senador pedetista já tinha dito várias vezes que não disputaria contra o irmão. Por isso, a expectativa é que ele anuncie que vai concorrer à reeleição. Nesse caso, o candidato ao governo seria o governador Orlando Pessuti (PMDB). O PT decidiu, em encontro realizado domingo, que poderá apoiar Pessuti, mas não se coligaria nas proporcionais, o que desagrada ao PMDB. A outra hipótese é o partido lançar candidato próprio ao governo. O mais cotado é o ex-prefeito de Londrina Nedson Micheleti. Nesse caso, Dilma ficaria com os dois palanques.

O compromisso de não disputarem entre si já fazia parte dos discursos dos irmãos Dias quando Alvaro pleiteava ser candidato ao governo. Aquele que estivesse à frente em pesquisas seria indicado. Mas o ex-prefeito de Curitiba Beto Richa (PSDB) lançou a candidatura, alegando que a população da capital o convocava para essa empreitada. Magoado por ser preterido pelo diretório estadual, Alvaro afastou-se da campanha tucana no Estado, enquanto Osmar, que esperava a retribuição por ter apoiado Richa à prefeitura, reforçou a intenção de disputar a eleição e encontrou receptividade para coligação com alguns partidos da base de sustentação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O anúncio de Alvaro na chapa de Serra fez as conversas voltarem ao estágio quase inicial.

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