PCdoB terá recorde de candidatos nas eleições de 2008

Em 2004, a legenda teve 104 candidatos a prefeito. Agora, apresentará 188, numa expansão equivalente a 80,8%

Marcelo de Moraes e Luciana Nunes Leal, de O Estado de S.Paulo

26 Julho 2008 | 16h31

O Muro de Berlim caiu, a União Soviética se esfacelou e o Partido Comunista do Brasil (PC do B) poderá obter seu melhor desempenho eleitoral quase 20 anos depois dessa mudança histórica. No ano em que o Manifesto Comunista, de Karl Marx e Friedrich Engels, completa 160 anos de publicação, a aparente contradição entre o possível sucesso eleitoral do partido e o fracasso internacional do comunismo mostra que a participação do PC do B na base de sustentação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi um movimento acertado.   Veja Também:   Pesquisa Ibope - Belo Horizonte   Especial traz o perfil dos candidatos a prefeito em BH    Guia do eleitor esclarece dúvidas sobre o pleito     Nas eleições de outubro, o PC do B terá o maior número de candidatos a prefeito, vice-prefeito e vereador de sua história. Em 2004, a legenda teve 104 candidatos a prefeito. Agora, apresentará 188, numa expansão equivalente a 80,8%. Mais do que isso. São nomes com chances reais nas disputas em capitais importantes como Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Porto Alegre.   Em Belo Horizonte, a líder do partido na Câmara, Jô Moraes, tornou-se a surpresa da primeira pesquisa de intenção de voto contratada pelo Estado e pela TV Globo e realizada pelo Ibope, entre 15 e 17 de julho. Contrariando a expectativa inicial de favoritismo do candidato Márcio Lacerda (PSB), que tem apoio do governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), e do atual prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT), Jô Moraes teve 17% das intenções de voto. É seguida por Leonardo Quintão (PMDB), com 14%, e por Lacerda, com 8%.   Pesquisa feita pelo Instituto Datafolha divulgada na sexta-feira confirma essa tendência, com Jô Moraes em primeiro, somando 20%, contra 9% de Quintão. Lacerda aparece nesse levantamento com apenas 6%, empatado com Vanessa Portugal (PSTU).   No Rio, as chances do PC do B também são fortes. A ex-deputada Jandira Feghali surge em segundo lugar, conforme pesquisa do Datafolha divulgada na sexta-feira. Jandira tem 16%, atrás de Marcelo Crivella (PRB), que soma 24%. Mas, segundo a pesquisa, venceria um eventual confronto de segundo turno.   Em Porto Alegre, outra candidatura viável. A deputada Manuela D’Ávila ocupa a terceira colocação, de acordo com o Datafolha, e perto dos primeiros postos. Manuela soma 18% das intenções de voto, atrás do prefeito José Fogaça (PMDB), que tem 29%, e da deputada Maria do Rosário (PT), com 20%.   O PC do B também tem chance de obter outro resultado importante. Em Aracaju, o atual prefeito Edvaldo Nogueira é o favorito à reeleição. Ele ocupa o cargo desde a saída de Marcelo Déda (PT), de quem era vice. Déda disputou (e conquistou) o governo do Estado em 2006, abrindo a vaga para Edvaldo.   O partido ofereceu ainda nomes para chapas majoritárias, ocupando o posto de candidato a vice. Em 2004, foram 164. Agora, serão 294, num salto de 79%. E, em alguns casos, a posição pode ser extremamente importante para ampliar a consolidação do PC do B. Em São Paulo, o partido indicou o deputado Aldo Rebelo para vice da petista Marta Suplicy. No Datafolha, ela aparece em primeiro lugar, com 36%, contra 32% do tucano Geraldo Alckmin.   Impulso   Se Marta se eleger prefeita, a expectativa de poder para o PC do B pode ir até mais longe. Caso seja vitoriosa, Marta se torna um nome forte dentro do PT para a sucessão do presidente Lula em 2010. Embora a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, apareça como favorita nesse processo, a eleição em São Paulo pode funcionar como o impulso político necessário para que Marta seja a indicada pelo PT. E, nesse caso, a prefeitura da maior cidade brasileira poderá ficar com Aldo e o PC do B.   O número de candidatos a vereador do partido também será recorde em 2008. Nas eleições passadas, a legenda apresentou 4.394 candidatos em todo o País. Desta vez, serão 7.461, num crescimento equivalente a 69,8%.  

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