PCC tem membros na Justiça, diz sindicalista

O presidente do Sindicato dos Funcionários do Sistema Prisional de São Paulo, Nilson de Oliveira, fez uma série de denúncias ao prestar depoimento na Comissão Especial de Combate à Violência da Câmara dos Deputados. Oliveira disse aos parlamentares que o Primeiro Comando da Capital (PCC), organização criminosa que promoveu rebeliões em série em São Paulo, possuiria entre seus membros pessoas do Poder Judiciário, do Ministério Público e da polícia. Oliveira contou também aos deputados que o secretário de Administração Penitenciária de São Paulo, Nagashi Furukawa, teria dito a ele que "não sabe mais o que fazer" para conter as ações do PCC. Segundo Oliveira, com a ajuda de autoridades que estão fora das grades, o PCC controla o narcotráfico, o contrabando de armas e até os telefones celulares que entram nas penitenciárias. Oliveira se dispôs a fornecer à Câmara os nomes de vários funcionários de presídios que presenciaram a corrupção no sistema penitenciário paulista. Há uma série de "esquemas" dentro dos presídios, disse Oliveira, que segundo ele poderiam ser comprovados por uma CPI. De acordo com Oliveira, em alguns presídios paulistas são os sentenciados que "escolhem" os carcereiros que irão compor os turnos. Oliveira disse, ainda, que é possível comprovar outros esquemas, como as "remoções cantadas", em que os carcereiros desarmados transferem presos entre penitenciárias com o fim de facilitar resgate no caminho. Oliveira afirmou que o sindicato vem fazendo reiteradas denúncias sobre a corrupção no sistema penitenciário e sobre o fortalecimento do PCC, mas que estes temas não tiveram investigação adequada. O deputado Moroni Torgan (PFL-CE), que acompanhou o depoimento, comentou que as denúncias são "estarrecedoras" e que é necessário ouvir autoridades do Judiciário e do Ministério Público de São Paulo, sugestão que está sendo discutida pela Câmara. Oliveira revelou que o PCC fez uma lista de pessoas que serão "executadas", incluindo seu próprio nome.

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