PCC quer representante no Congresso

A organização criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital), facção atuante, principalmente, nos presídios do Estado de São Paulo, decidiu lançar um candidato a deputado federal nas eleições do próximo ano. A quadrilha promete eleger seu congressista com a maior votação da historia política paulista - de 300 mil a 500 mil votos - , e começar a estruturar um partido, o PCC (Partido da Comunidade Carcerária) para defender o direito ao voto dos presos e lutar contra as ?injustiças do sistema prisional brasileiro?. O candidato a deputado federal já escolhido pelo PCC é o advogado de conhecidos membros da organização, Anselmo Maia, da capital, que afirma estar disposto a entrar na política para lutar contra o ?sistema autoritário? do Judiciário e "contra as mazelas do brutal sistema carcerário brasileiro, que não consegue regenerar ninguém". A criação de um partido político dos sentenciados ligados ao PCC foi anunciada pelo próprio advogado durante uma visita, segunda-feira, aos lideres da organização criminosa em Taubaté (SP). Na ocasião, ele criticou o sistema carcerário dos presídios de Tremembé, para onde foram transferidos alguns dos lideres do PCC após a rebelião comandada pela organização em quase todos os presídios paulistas. A entrevista aconteceu durante um flash ao vivo, transmitido por uma rádio local diretamente dos portões do presídio. O advogado, na ocasião, afirmou que o PCC havia decidido lançar um partido político. Hoje, Anselmo Maia afirmou que, em conversa com presos que representa, houve a decisão de que, antes da formação do partido, será feito um grande mutirão entre os quase 150 mil presos do Estado. ?No início, pensamos em pedir dez votos de cada familiar, o que daria uma cifra de cerca de l,5 milhão de votos, mas eu mesmo conversei com os lideres do movimento e argumentei que é melhor partir de uma base mais realista, pedindo três votos de cada familiar de preso, o que daria para eleger o deputado federal mais votado de São Paulo", explicou. Segundo ele, "quando os presos tiverem direito a voto, o próprio governador vai ouvi-los em suas reivindicações e pedir voto dos seus familiares". Isso, para Anselmo, vai ajudar a resolver os problemas carcerários, "porque o governador vai determinar ao juiz das execuções penais rapidez e ordem no tramite dos processos", explicou. O candidato do PCC ainda não escolheu o partido a que quer se filiar, mas informou que já está em contato com lideranças.

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