PC do B desistiu da Albânia

A Albânia, ex-república comunista e um dos países mais pobres daEuropa, já não é mais o modelo de referência a ser seguido, mas osinimigos do Partido Comunista do Brasil continuam os mesmos: guerra ao ?imperialismo americano?, à ?política neoliberal? do presidente Fernando Henrique e à ?globalização capitalista?. As palavras de ordem estão todas na proposta de resolução a ser votada no 10º Congresso do Partido Comunista do Brasil, que começa neste fim de semana, no Rio. No melhor estilo marxista-leninista, o documento, que norteará as ações do partido para os próximos quatro anos, ainda prega a ?união do proletariado internacional? e a instituição de um governo socialista noBrasil.Os comunistas não apresentam uma posição definitiva do partido para as eleições presidenciais do ano que vem, apenas defendem a constituição de uma candidatura única de oposição, apoiada por uma frente ampla de partidos de esquerda, a exemplo de 1998. ?Defendemos o nome mais viável eleitoralmente. Se as eleições fossem hoje, esse nome seria o do Lula, mas temos que ainda acompanhar a dinâmica eleitoral até o ano que vem?, afirmou o tesoureiro nacional do PCdoB, Ronald de Freitas.Dividido em três partes, a proposta de resolução do PCdoB faz umaanálise do próprio partido nestes 15 anos de legalidade, da conjuntura internacional e da situação política do País. O trabalho é resultado de uma debate interno que começou em junho e durou cinco meses. Foram realizadas mais 900 conferências no Brasil inteiro, nas quais participaram cerca de 35 mil militantes do partido. Nestas conferências, foram escolhidos 850 delegados, que vão eleger o novo programa e a direção do partido. A novidade será o afastamento do presidente João Amazonas, de 90 anos,dos quais 39 à frente do PCdoB. Amazonas será substituído por Renato Rabelo, 60 anos, atual vice-presidente. Na segunda-feira, dia 10, o PCdoB organiza um grande ato político, com a presença de lideranças políticas nacionais de vários partidos de oposição e 60 delegações internacionais, representando partidos comunistas de 40 países, entre os quais China, Cuba, Vietnã, Palestina, Angola, Estados Unidos e França.Segundo Freitas, desde o 8ª Congresso, realizado em 1992, o partidodeixou de defender modelos socialistas, como o albanês. ?Hoje, nósacreditamos que a luta pela construção do socialismo deve seguir asparticularidades de cada País?, explicou. No documento a ser aprovado neste novo congresso, os comunistas revêem antigas posições e elogiam todos os países que ainda seguem o sistema criado por Marx - China, Laos, Vietnã, Cuba e Coréia do Norte.?Estes países socialistas procuraram levar adiante suas políticas deconstrução da nova sociedade, tendo em vista as novas condições domundo, levando em conta o fim de um campo socialista, o alto nível de integração mundial, a rica experiência de acertos e erros na prática de construção do socialismo e as peculiaridades de cada um de seus países?, afirmam os comunistas, antigos críticos dos modelos socialistas chinês e cubano.Na proposta, o partido repudia os ataques terroristas de 11 desetembro, mas acusa os Estados Unidos de incentivar uma ?guerraimperialista, que ameaça a liberdade dos povos?. Para o tesoureironacional do PCdoB, os americanos querem, agora, substituir o comunista, antigo inimigo da Guerra Fria, pelo terrorista. ?As justificativas para intervir na soberania de um país não são mais o comunismo, mas o terrorismo?, acredita. O documento pede o cancelamento do Plano Colômbia, condena a criação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca) e defende uma globalização ?soberana?, que respeite os interesses econômicos dos países em desenvolvimento. Durante o congresso, será aberta uma exposição de fotos históricas do partido. Serão 24 painéis que retratam momentos cruciais do PCdoB, como a sua fundação, em 1922, a luta contra o Estado Novo, a participação na Constituinte de 46, a clandestinidade, as perseguições políticas pós-golpe de 64, além de imagens da campanha pela anistia, em 1979, a volta dos exilados, a reorganização do partido, na década de 80, até oimpeachment do ex-presidente Fernando Collor de Mello e a oposição ao atual governo de Fernando Henrique Cardoso.

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