Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Pauta para mudar o rumo da prosa

Batizado de "Agenda Brasil", o pacote pode desviar os holofotes, ao menos por enquanto, das ameaças de impeachment

Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

12 de agosto de 2015 | 02h02

Agenda proposta pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), para conter a crise política foi vista no Planalto como a boia de salvação da presidente Dilma Rousseff. Embora haja pontos polêmicos que devem ser modificados, como a sugestão de cobrança nos atendimentos do SUS por faixa de renda, o simples lançamento de medidas de impacto para melhorar a proteção social, promover o ajuste fiscal e dar um jeito no ambiente de negócios destravou o governo.

Batizado de "Agenda Brasil", o pacote pode desviar os holofotes, ao menos por enquanto, das ameaças de impeachment. Mais do que isso, a expectativa no Planalto é que a agenda positiva faça um contraponto ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que declarou guerra a Dilma e acabou mordendo a isca do ciúme ao dizer que "não dá para achar que só o Senado funciona".

Há no PT muitos senões em relação ao pacote, mas o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que desembarcou ontem em Brasília, já se movimenta para aplacar resistências internas. Além de conversar com os petistas, Lula vai se reunir hoje com pesos pesados do PMDB no Palácio do Jaburu, residência oficial do vice Michel Temer.

No cenário em que a análise das contas do governo pelo Tribunal de Contas da União (TCU) disputa agora espaço com a "Agenda Brasil", o desfecho é imprevisível. O pacote de Renan ainda passará pela Câmara e pelo Senado e muita coisa vai ser mudada. Mas isso é o que menos importa. O que interessa agora, para o governo, é mudar o rumo da prosa.

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