Paulo Roberto Costa pode ser solto nos próximos dias

Paulo Roberto Costa pode ser solto nos próximos dias

Após ter feito um acordo de delação premiada e ter prestado depoimentos sobre o esquema investigado pela Operação lava Jato, Costa deverá retornar para casa, mas sob monitoramento.

Mariângela Gallucci, O Estado de S. Paulo

26 de setembro de 2014 | 19h49


Atualizada às 22h20

BRASÍLIA - O ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa deverá ser solto nos próximos dias com autorização da Justiça. Após ter feito um acordo de delação premiada e ter prestado depoimentos sobre o esquema investigado pela Operação Lava Jato, Costa deverá retornar para casa sob monitoramento - durante um ano, ele deverá usar tornozeleira eletrônica e não poderá sair do apartamento onde reside com a família, no Rio, exceto para audiências judiciais.

Alvo da Lava Jato, o ex-diretor da Petrobrás é suspeito de envolvimento com um esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado R$ 10 bilhões. Atualmente ele está preso em Curitiba. Pesou na decisão de Costa a possibilidade de ele pegar pena superior à que foi aplicada (quase 40 anos) ao empresário Marcos Valério, operador do mensalão do PT.

Nos depoimentos, iniciados dia 29 de agosto e concluídos na semana passada, ele teria citado autoridades que supostamente participaram ou foram beneficiários de propinas.

Costa apontou ao menos 32 deputados e senadores e muitas empreiteiras que teriam pago propinas para manter contratos com a Petrobrás. Seus relatos foram criptografados e enviados à Procuradoria-Geral da República e ao ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, que detém competência para mandar investigar parlamentares.

A delação tem o formato de um contrato, pelo qual Costa se obrigou a confessar seu próprio envolvimento no esquema, além de revelar detalhes de lavagem e corrupção e indicar provas contra outros integrantes da organização criminosa. Ele admitiu, por exemplo, ter recebido US$ 23 milhões de uma empreiteira para facilitar contratos com a Petrobrás. O dinheiro foi depositado em contas na Suíça. Os ativos já estão bloqueados e Costa autorizou a repatriação, o que evita acionar a cooperação jurídica internacional - expediente demorado.

Alvará. Existe apenas uma controvérsia sobre quem deverá determinar expedição de alvará de soltura de Costa, ou a Justiça Federal em Curitiba, ou o ministro Teori Zavascki, do Supremo. A assessoria de comunicação do Supremo informou que, de acordo com funcionários do gabinete de Teori Zavascki no STF, o ministro não tomou nenhuma decisão sobre uma eventual libertação do ex-executivo da estatal petrolífera.

O doleiro Alberto Youssef, apontado como parceiro e sócio de Costa, deve começar a fazer delação na próxima semana. Seu advogado, Antonio Figueiredo Basto, avisou. “Acordo de colaboração pressupõe a confissão integral dos fatos, responder todos os fatos que for perguntado, a responsabilidade em colaborar com a Justiça. As outras pessoas (apontadas por Alberto Youssef) vão ter o direito de se defender.”

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