Paulo Roberto Costa diz que tentou 'quebrar' cartel na Petrobrás

Paulo Roberto Costa diz que tentou 'quebrar' cartel na Petrobrás

Em acareação na CPI mista da estatal, ex-diretor afirma se sentir 'enojado' com processo envolvendo a companhia

Ricardo Brito e Isadora Peron, O Estado de S. Paulo

02 de dezembro de 2014 | 17h26

Brasília - O ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa afirmou durante acareação na CPI mista da estatal, nesta terça-feira, 2, que tentou "quebrar" o cartel de grandes empresas em contratos da companhia e que se atualmente está "enojado" sobre as denúncias de pagamento de propina envolvendo a estatal. A parlamentares, Paulo Roberto também disse nunca ter conversado em particular com a presidente Dilma Rousseff ou com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre irregularidades.

O ex-diretor participa de acareação com o também ex-diretor Nestor Cerveró. Em depoimento ao Ministério Público Federal, como parte do acordo de delação premiada, Costa citou o ex-colega como um dos beneficiados pelo suposto esquema de pagamento de propina. Cerveró negou qualquer relação com o esquema investigado pela Operação Lava Jato.

“Nunca tivemos uma reunião em particular com a presidente Dilma nem com o presidente Lula, por mim, não. Nunca pudemos conversar sobre esse tema de forma clara”, disse Costa, durante acareação. Ele disse não ter revelado as irregularidades que o "enojavam" por considerar que era uma questão de “fundo pessoal meu”, de “fundo íntimo”.

O ex-diretor afirmou ter tentado colocar pequenas empresas para “quebrar” o cartel das grandes. “Mas não conseguimos”, afirmou. Costa disse que chegou a conversar internamente na Petrobrás, dentro do Conselho de Administração, das dificuldades para conseguir preços corretos. Ele exemplificou o caso da refinaria de Abreu e Lima, que, segundo ele, estava em uma contratação com o preço “exaustivamente alto”.

Casa Civil. Momentos antes, o ex-diretor afirmou que a Casa Civil foi informada por ele, por e-mail em setembro de 2009, das dificuldades da estatal no Tribunal de Contas da União (TCU).

Segundo reportagem da revista Veja, o TCU havia recomendado ao Congresso a imediata paralisação de três grandes obras da estatal - a construção das refinarias Abreu e Lima, em Pernambuco, e Getúlio Vargas, no Paraná, e do terminal do porto de Barra do Riacho, no Espírito Santo. Costa mandou um e-mail para a Casa Civil lembrando que, em anos anteriores, houve "solução política" para contornar as decisões do TCU e da Comissão Mista de Orçamento do Congresso Nacional."

O ex-diretor de Abastecimento negou que o objetivo do alerta à Casa Civil, na ocasião, seria o de continuar com o esquema de corrupção, conforme relatado pela Veja. Ele disse que na época já estava "enojado com esse processo todo" que envolvia a Petrobrás. Por isso, disse, fez o aviso assim como nos anos anteriores. "Fiz este alerta que estava me enojando, não foi nenhuma alerta para continuar esse processo", afirmou.

Pasadena. Paulo Roberto Costa afirmou considerar um “erro” eximir o Conselho de Administração da estatal de responsabilidade pela compra da refinaria de Pasadena, no Texas (EUA), 2006. O conselho era presidido, na época da compra da primeira metade da refinaria, pela então ministra-chefe da Casa Civil e atual presidente reeleita Dilma Rousseff.

“A Diretoria da Petrobrás não tem autonomia para compra de um ativo de Pasadena. Então eximir Conselho de Administração pela compra de Pasadena é um erro”, afirmou Costa, em acareação na CPI mista da estatal.

Segundo Costa, a participação dele em Pasadena foi “indireta”. Ele chegou a defender Cerveró de responsabilidade final sobre a compra de Pasadena. “Queria colocar novamente e afirmar o que o Nestor colocou: a responsabilidade final para aprovar uma compra é 100% do Conselho de Administração”, destacou.

Pouco antes, Cerveró concordou quando foi perguntado sobre se a responsabilidade da compra de Pasadena é, em última instância, do conselho e não da diretoria - da qual fazia parte. “É, sim”, disse.

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