Paulo Renato encerra negociação com professores

O ministro da Educação, Paulo Renato Souza, declarou encerradas as negociações entre governo e professores federais, em greve há 90 dias, apesar da manutenção do impasse. "Os professores perderam a oportunidade do acordo. Não há mais tempo", disse, em seminário sobre Educação realizado no centro do Rio. O ministro voltou a negar que o governo tenha a intenção de contratar professores temporários e reafirmou ser contra o pagamento dos salários dos grevistas, determinado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), que deu prazo até hoje para que a decisão fosse cumprida.De acordo com Paulo Renato, a liminar do STJ estaria "mal-endereçada do ponto de vista jurídico", por ter sido remetida ao ministério da Educação. O ministro argumentou que, a partir das medidas antigreve, a competência para decidir sobre o pagamento foi transferida para o ministério do Planejamento e para a presidência da República. Ele disse ainda que a Advocacia-Geral da União (AGU) entraria com recurso contra a decisão do STJ.Paulo Renato espera que os professores voltem logo ao trabalho. "A proposta do governo está no limite do possível. Estamos retirando recursos dos ensinos fundamental e médio para atender às reivindicações." O governo oferece reajuste de 34% sobre a gratificação por desempenho dos docentes, o que resulta, nas contas do ministro, em 12% sobre o salário da categoria.O ministro negou a hipótese de cancelamento do semestre letivo. "Canceladas estão as férias", disse ele, referindo-se ao eventual início da reposição das aulas. "Os únicos prejudicados com a greve são os alunos da graduação. Por isso sou contra a idéia de pagar os salários. Alguém tem que fazer alguma coisa pelos alunos e exigir que se volte ao trabalho." Segundo Paulo Renato, algumas universidades já estariam deixando a greve - ele não citou nomes. Está programada uma reunião com reitores para avaliar a situação. "A greve ganha as páginas de jornal porque quem lê jornal é a classe média. Muitos estão sofrendo com a greve do INSS e nada acontece. Por isso, o governo quer fazer contratações temporárias no caso de trabalhos operacionais", disse ele.Garotinho e greveEm Copacabana, zona sul, o governador Anthony Garotinho (PSB) criticou o presidente Fernando Henrique Cardoso. Em entrevista após solenidade a que ambos compareceram, Garotinho disse que o presidente "foi mais fundo do que a ditadura" no combate aos grevistas. "Nem os militares foram tão radicais. Isso fere frontalmente a Constituição", disse, referindo-se ao pacote antigreve.O próprio governador, porém, foi alvo de manifestantes que passaram toda a manhã em frente ao hotel Sofitel, onde um encontro de parlamentares da América estava sendo foi realizado, para protestar contra Fernando Henrique. O grupo, que chegou a 40 pessoas, era formado por estudantes e professores de instituições federais de ensino.

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