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Paulo Octávio já escreveu carta de renúncia

Vice de Arruda quer combinar saída com o governador preso; sucessão pode ficar com presidente do TJ-DF

Rui Nogueira, Leôncio Nossa, Tânia Monteiro e Rosa Costa,

18 de fevereiro de 2010 | 01h08

Está escrita a carta de renúncia do governador em exercício do Distrito Federal (DF), Paulo Octávio (DEM). Depois de uma rodada de negociações políticas no fim de semana, ele não conseguiu reunir apoio para formar um governo de coalizão - não contou nem sequer com o apoio institucional das principais lideranças do DEM nacional.

 

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Paulo Octávio redigiu a carta de renúncia no feriado do carnaval e até já mostrou o texto a alguns políticos de Brasília. Nesta quinta-feira, 18, segundo assessores do governador, ele deve ser recebido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a quem comunicará a decisão de renunciar.

 

A comunicação formal da renúncia, que deve ser feita em um movimento político combinado com o governador José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM), vai abrir uma negociação em torno da linha sucessória no DF. É provável que o presidente e o vice da Câmara Legislativa desistam de assumir o governo local. Nesse caso, assumiria o presidente do Tribunal de Justiça (TJ), que organizaria a eleição indireta na Câmara Legislativa para escolher o novo governador.

 

O encontro de Paulo Octávio com Lula, previsto para esta quinta, é a segunda tentativa de estar com o presidente. Na quarta-feira, Lula evitou dar sinais de que trabalha pela sustentação política do governador interino.

 

O Palácio do Planalto não pretende se associar ao escândalo do "mensalão do DEM" no Distrito Federal. Para evitar desgastes desnecessários, o governo vai se manter neutro, à espera da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que analisará um pedido do Ministério Público de intervenção federal.

 

Na quinta-feira, 11, Arruda foi preso por ordem do Superior Tribunal de Justiça (STJ), acusado de tentar subornar testemunha no inquérito aberto a partir da Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal. A investigação apontou um suposto esquema de desvio de dinheiro público.

 

Em conversas com sua equipe, Lula deixou claro que o governo deve manter relação "institucional" e "republicana" com Paulo Octávio, enquanto ele estiver no cargo. O presidente não quer virar "protagonista" do caso e considera que o assunto, no momento, está com o Judiciário.

 

"Por maiores que sejam as diferenças nos dois casos, ninguém consegue dissociar a figura do governador da do vice-governador", disse o senador José Agripino Maia (DEM-RN), sintetizando a ausência de sustentação de Paulo Octávio dentro do próprio partido, que apenas aguarda sua renúncia.

 

Se renunciar, aliás, o governador em exercício pode também escapar do destino dos deputados distritais Leonardo Prudente (sem-partido), Júnior Brunelli (PSC) e Eurídes Brito (PMDB). Os três deverão ser cassados pela Câmara Legislativa.

 

Flagrado acomodando maços de dinheiro nas meias, Prudente é um aliado próximo do governador interino. Em 2008, Prudente recebeu Paulo Octavio em sua festa de aniversário, numa churrascaria de Brasília.

 

Longe da crise

 

Assessores do Planalto são unânimes em dizer que não há torcida no governo para que o STF decida pela intervenção. A hipótese, se confirmada, seria mais um problema para Lula resolver em um ano de eleições.

 

Na tarde de quarta-feira, 17, Lula e seus assessores puderam conferir de perto o agravamento da crise política. Cerca de 20 estudantes universitários, que integram o movimento "Fora Arruda", foram "recepcionar" o presidente no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB).

 

"Ô Lula, não enrola, intervenção federal, agora!", gritavam os estudantes, que defendem a intervenção em Brasília. Os manifestantes não querem que o presidente receba Paulo Octávio. "Lula não ‘arrodeia’, bota também o Paulo Octávio na cadeia", voltaram a gritar os estudantes.

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