Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Paulo Marinho é interrogado por 5 horas no Rio: ‘Não posso dar declaração’

Empresário é ouvido por delegados e procuradores sobre suposto vazamento da Operação Furna da Onça

Caio Sartori, O Estado de S.Paulo

20 de maio de 2020 | 20h56

RIO - Após cinco horas de depoimento na Polícia Federal no Rio, o empresário Paulo Marinho deixou o local sem falar com jornalistas. “Para não prejudicar as investigações, não posso dar nenhuma declaração”, disse.

Marinho foi ouvido por delegados e procuradores. A PF reabriu procedimento sobre suposto vazamento da Operação Furna da Onça e o MPF instaurou inquérito para apurar as declarações do empresário, segundo as quais o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos -RJ) teve acesso a informações da operação.

Em entrevista à Folha de S. Paulo publicada no último domingo, Marinho afirmou que um delegado teria se encontrado na porta da superintendência da PF – a mesma em que foi depor nesta quarta – com interlocutores do então deputado estadual e hoje senador para informar que a operação seria atrasada, a fim de não prejudicar a família Bolsonaro em meio ao período eleitoral de 2018.

A operação foi às ruas no dia 8 de novembro daquele ano e cumpriu 19 mandados de prisão temporária, três de prisão preventiva e 47 de busca e apreensão, expedidos pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2) e tendo como foco deputados da Assembleia Legislativa do Rio.

Flávio não era alvo, mas relatórios de inteligência financeira produzidos pelo antigo Coaf já apontavam desde janeiro daquele ano movimentações suspeitas nas contas de Fabrício Queiroz, seu suposto operador financeiro no esquema de “rachadinha”. Os relatórios tinham como escopo deputados e assessores da Alerj, e o caso específico de Flávio foi revelado pelo Estadão no início de dezembro, quando o procedimento investigativo já havia sido aberto pelo Ministério Público do Rio.

Citado por Marinho como um dos assessores de Flávio que teriam recebido dados da Furna da Onça, o advogado Victor Granado Alves vai trabalhar no gabinete do deputado estadual bolsonarista Anderson Moraes (PSL). Alves é investigado pela Promotoria no caso de “rachadinha” na Assembleia Legislativa do Rio.

Moraes emprega em seu gabinete a ex-mulher do presidente Jair Bolsonaro e mãe de Flávio, Rogéria. Ele disse que Alves é “altamente capacitado”. A nomeação foi revelada pelo jornal O Globo e confirmada pelo Estadão.

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