Dida Sampaio/Estadão (13/03/2019)
Dida Sampaio/Estadão (13/03/2019)

'É normal que o Congresso queira entrar no Orçamento, mas não precisa pisar no nosso pé', diz Guedes

Governo enfrenta nova crise na relação com o Congresso depois da reclamação vazada do ministro Augusto Heleno de 'chantagem'

Julia Lindner e Amanda Pupo, O Estado de S.Paulo

20 de fevereiro de 2020 | 12h36

BRASÍLIA - O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou nesta quinta-feira considerar normal a tentativa do Congresso de ter controle de uma fatia maior do Orçamento, mas "não precisa pisar no nosso pé". Segundo Guedes, é preciso "transformar um aparente desentendimento" em algo construtivo. 

"É normal que o Congresso queira entrar no Orçamento. Mas pera aí. Não precisa pisar no nosso pé", disse. "Tem um Orçamento de R$ 1,5 trilhão, para quê vamos brigar por causa de 10, 15 ou 20 bilhões? Tem um R$ 1,5 trilhão. Basta descarimbar. Vamos fazer o pacto federativo. Aprovemos as reformas."  

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Descontrole total

Como revelou o Estado nesta quinta, na avaliação da cúpula do Congresso, Guedes e o ministro do Gabinete de Segurança Institucional, Augusto Heleno, são os novos integrantes da “ala ideológica” do governo e insuflam o presidente Jair Bolsonaro contra os parlamentares.  

Durante cerimônia de lançamento da nova linha de crédito imobiliário da Caixa, o ministro da Economia passou uma série de recados ao Legislativo. Guedes falou que "pode haver exagero de um lado ou outro", que "todo mundo fica nervoso" ao discutir questões orçamentárias, mas que não vale a pena brigar por cerca de R$ 10 bilhões quando há possibilidade do pacto federativo dar mais autonomia para estados e municípios.

"É normal que o Congresso queira entrar no Orçamento. Mas pera aí. Não precisa pisar no nosso pé", disse. "Tem um Orçamento de R$ 1,5 trilhão, para quê vamos brigar por causa de 10, 15 ou 20 bilhões? Tem um R$ 1,5 trilhão. Basta descarimbar. Vamos fazer o pacto federativo. Aprovemos as reformas."

Guedes destacou que as reformas "têm várias dimensões" e que a classe política também está convidada para entrar nas discussões sobre o pacto federativo. "Façamos as reformas e aí teremos 100% do orçamento para discutir e construir juntos", declarou.

Esta semana, ao reclamar da suposta "chantagem" que o presidente Jair Bolsonaro sofre do Parlamento, o ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, acabou expondo o descontentamento de deputados e senadores com Guedes.

Na avaliação da cúpula do Congresso, Heleno e Guedes são hoje os novos integrantes da “ala ideológica” do governo e insuflam Bolsonaro contra os parlamentares.

"Esse empurra-empurra (entre governo e Congresso sobre o orçamento) é normal", minimizou Guedes. Em linha de raciocínio semelhante ao que diz Heleno, Guedes falou que se o orçamento impositivo for grande demais, fica parecendo que o País está em um "parlamentarismo branco", mas que o outro extremo também não é satisfatório para o Congresso.

Guedes afirmou, ainda, que é preciso respeitar quem ganhou a eleição. "Espera três anos e tenta de volta", declarou.

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