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Temer cobra da base aprovação de medidas como demonstração de força do governo

Presidente em exercício disse que, apesar da crise provocada pela saída do segundo ministro por causa da Lava Jato, cabe aos aliados dar continuidade à pauta econômica no Congresso

Igor Gadelha e Erich Decat, O Estado de S. Paulo

31 de maio de 2016 | 16h33

BRASÍLIA - Um dia após a queda do segundo ministro do governo interino, o presidente em exercício Michel Temer cobrou, nesta terça-feira, 31, de integrantes da base aliada a aprovação das medidas econômicas no Congresso como forma de demonstração de força do governo.

Na véspera do encontro, o ministro da Transparência, Fiscalização e Controle, Fabiano Silveira, pediu demissão do cargo após forte pressão de políticos e servidores. A iniciativa foi tomada após a divulgação de gravações feitas pelo ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, que fez acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal. Nos áudios, Silveira discute estratégias de defesa de investigados da Lava Jato. Uma semana antes da queda do ministro da Transparência, as gravações de Machado foram responsáveis pela saída do senador Romero Jucá (PMDB-RR) do Ministério do Planejamento.

O encontro desta terça de Temer com lideranças da base aliada ocorreu durante almoço promovido em Brasília pelo líder do PSD na Câmara, Rogério Rosso (DF). Também participou de parte do governo o ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima.

Segundo relatos de presentes, Temer chegou a citar de forma indireta as gravações feitas por Sérgio Machado e ressaltou que, apesar de o conteúdo de novos grampos poder vir a público, cabe à base aliada dar continuidade às discussões das matérias econômicas no Congresso. O discurso de Temer foi endossado pelo líder do governo na Câmara, André Moura (PSC-SE), que considerou que as questões econômicas devem ser resolvidas pelos parlamentares.

Entre as medidas que o Palácio do Planalto espera avançar está a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prorroga a Desvinculação de Receitas da União (DRU). O texto tramita atualmente na Comissão Especial da Câmara e, caso passe pelo colegiado e seja aprovado pelo plenário da Casa, deverá seguir direto para discussão do senadores, sem que necessite passar pelas comissões temáticas do Senado. Segundo o líder do PP, Aguinaldo Ribeiro (PB), a orientação é votar a matéria na manhã desta quarta-feira, 1.º, na comissão especial e, à tarde, em primeiro turno, no plenário.

No encontro como os parlamentares, o presidente em exercício também minimizou as tentativas de obstrução dos opositores comandadas pelo PT, partido da presidente afastada Dilma Rousseff. “Pelo barulho que fazem fica parecendo que são maioria”, ironizou.

'Empenho'. O líder do PSB na Câmara, deputado Paulo Foletto (ES), disse que Temer pediu empenho dos líderes na defesa do governo. "Ele focou em pedir empenho na defesa do governo. Até para a gente falar mais do governo", afirmou Foletto na saída do almoço. Segundo o deputado, Temer também ressaltou que a prioridade de sua administração serão as medidas econômicas, para a retomada do crescimento, e a recuperação do emprego e da indústria.

Segundo Foletto, antes de o presidente chegar, os líderes discutiram a saída dos ex-ministros Romero Jucá (Planejamento) e Fabiano Silveira (Transparência). "Os líderes disseram que devemos estar preparados para novos contratempos", disse.

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