Paulistanos são contra 3º mandato e CPMF, revela pesquisa

Levantamento da Toledo & Associados mostrou, no entanto, que 36% aprovam possibilidade de nova reeleição

Anne Warth, Agência Estado,

16 de novembro de 2007 | 15h36

A maioria dos moradores da Capital paulista é contrária à idéia de um terceiro mandato que permita ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva disputar mais uma vez a reeleição em 2010. Uma pesquisa feita pelo instituto Toledo & Associados com 1.004 eleitores de todas as regiões da cidade indica que 60% dos entrevistados não concordam com uma proposta de emenda constitucional que possibilite a reeleição para um terceiro mandato na Presidência da República. Outros 36% mostraram-se favoráveis à mudança, 3% disseram ser indiferentes e 1% não souberam ou não quiseram responder à pergunta. O levantamento perguntou também a opinião dos entrevistados com relação à prorrogação da CPMF. A grande maioria (85%) foi contrária à idéia, 11% disseram ser a favor da prorrogação do tributo, 3% manifestaram indiferença e 1,5% não souberam ou quiseram responder. Ainda sobre terceiro mandato Com base nos critérios de classificação socioeconômica da Associação Brasileira de Institutos de Pesquisa de Mercado (Abipeme), o levantamento mostrou que a maior parte dos homens (57,5%) e das mulheres (62,2%) são contra o terceiro mandato. Também entre as diferentes classes sociais a proposta é rejeitada, embora entre as classes A e B - 80% e 65%, respectivamente - a desaprovação seja maior do que a registrada entre as classes C e D - 56% e 50%, respectivamente. Já entre diferentes níveis de escolaridade, a discrepância dos resultados da pesquisa é bem maior. A maioria dos analfabetos (73%) e pessoas com até o Ensino Fundamental incompleto (1º grau) ou completo são favoráveis à reeleição para o terceiro mandato - 44% e 37%, respectivamente. Os paulistanos com Ensino Médio completo, Ensino Superior e com Pós-Graduação, Mestrado ou Doutorado rejeitam a proposta - 61%, 77% e 83%, respectivamente. Entre as regiões de São Paulo, a objeção à idéia é maioria, mas registra algumas discrepâncias. Na Zona Oeste, 70,4% dos moradores disseram ser contrários à proposta; na Zona Norte, o porcentual foi de 65,7% dos entrevistados; no Centro, 61,9%; na Zona Sul, 58,2%; e na Zona Leste, 55,8%. Mais sobre CPMF Diferentemente da questão sobre o terceiro mandato, houve pouca diferença entre as opiniões dos entrevistados em relação à CPMF. A maioria dos homens (82%) e mulheres (87%) é contra a prorrogação do tributo. Entre as classes sociais, as opiniões também convergiram: 85,7% na classe A, 88,2% na classe B; 83,7% na classe C e 78,4% na classe D.  Opiniões contrárias ao tributo também foram observadas em graus de escolaridade diferentes: analfabetos (67%), Ensino Fundamental incompleto (76%), Ensino Fundamental completo (85%), Ensino Médio completo (85%), Superior (89%) e a totalidade dos paulistanos com Pós-Graduação, Mestrado ou Doutorado. A maioria dos moradores de todas as regiões da capital paulista também não quer a continuidade da cobrança da CPMF: 86,5% dos moradores da Zona Leste, 86,1% na Zona Norte, 85,9% na Zona Oeste, 83,3% no Centro e 81,7% na Zona Sul. Surpresa Para Francisco Toledo, sócio da Toledo & Associados, os resultados sobre o terceiro mandato foram surpreendentes. "Eu fiquei um pouco surpreso pelo fato de termos 36% da população concordando com o terceiro turno. É um índice alto, ainda mais se compararmos com a opinião sobre a prorrogação da CPMF, em que 85% da população é contra", disse ele. Mas as divergências entre nível de escolaridade e classe social já eram esperadas por Toledo. "São os extremos da população. Os mais pobres foram beneficiados por programas como o Bolsa-Família e acreditam que isso continuará se o presidente Lula continuar na Presidência da República. Mas os de mais alta escolaridade são totalmente contra o terceiro mandato", acrescentou. Toledo admite que a população tende a ser contra qualquer imposto ou tributo, mas principalmente devido ao mau uso dos recursos arrecadados pelo Estado. "No caso da CMPF, as pessoas também sabem que ele vem embutido e tem cobrança duplicada ou triplicada", ressaltou. A pesquisa, intitulada "As Coisas do Estado e o Estado das Coisas", foi realizada entre os dias 10 e 13 de novembro, por iniciativa da própria Toledo & Associados. Foram entrevistados 1.004 paulistanos, distribuídos de forma proporcional entre sexo, idade, classe social e nível de escolaridade - segundo os parâmetros da Abipeme. Também foi respeitada a proporcionalidade entre os eleitores das regiões da cidade. A margem de erro é de 3,1 pontos porcentuais, para cima ou para baixo.

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