Paulista pode ser a mulher mais velha do mundo

A dona de casa Rita de Menezes da Silva, moradora de Tatuí, no interior de São Paulo, pode ser a mulher mais velha do mundo. Aos 113 anos, completados no último dia 13, ela mantém a lucidez e ainda goza de boa saúde. "Sinto só não estar podendo mais fazer os serviços de casa", diz. Os parentes já reúnem documentação para enviar ao Guiness Book, o livro que registra os recordes. O verbete relativo à mulher mais velha do mundo está vago desde a morte da francesa Marie Brémont, aos 115 anos, em junho. A brasileira Maria do Carmo Gerônimo, uma ex-escrava de 119 anos, morreu no início deste ano, em Itu, sem ter sido inscrita por falta de documentos. O Guiness registra como o homem mais velho o italiano Antonio Todde, de 112 anos, mais novo que Rita. Ela é natural do município de Areias, perto de Aparecida, no Vale do Paraíba. Quando nasceu, em 1888, a princesa Isabel tinha acabado de assinar a Lei Áurea, dando liberdade aos escravos. A data do nascimento consta de várias certidões e documentos, como o título eleitoral.Ela se lembra que os escravos continuaram trabalhando no casarão de seus pais, mesmo depois da libertação. A família mudou-se depois para um sítio no município de Cesário Lange, região de Sorocaba. Rita cuidava dos afazeres domésticos e fazia comida. "Ela sempre foi muito dinâmica, estudada e trabalhadora", conta a nora Maria Neusa Pelagalli Barros, de 62 anos. Seu marido, José Manoel, de 65 anos, é um dos 15 netos da anciã, que também tem 29 bisnetos e 20 tataranetos. Rita casou-se duas vezes e teve quatro filhos, mas apenas o casal das segundas núpcias, Zenon, de 80 anos, e Zélia, de 82, ainda vive. A filha mais velha, Maria Rita, morreu há dois meses com 93 anos. A caçula mora com ela e é seu "anjo da guarda", como define Rita. A nora lembra que a mãe, com sua idade, está tão lúcida quanto a filha. "Até um pouco mais", ressalva. A família reuniu-se na semana passada, em Tatuí, para celebrar o 113º aniversário. Rita acompanhou a reza do terço. Ela tem dificuldade para andar e usa uma cadeira de rodas. "As pernas estão bambas", justifica. Também se queixa de que os ouvidos já não estão bons. Mas os olhos, com a ajuda dos óculos, ainda enxergam bem. Quando está bem disposta, recita poesias dos tempos da juventude. Vaidosa, lembra que sempre foi uma mulher bonita. Comentando a longevidade, diz que Deus a esqueceu na terra. "Vivo agradecendo por ainda estar viva."

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