Paulinho vai ao Conselho de Ética no dia 8

Acusado de envolvimento em esquema de desvio de dinheiro do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), presidente da Força Sindical, confirmou seu depoimento no Conselho de Ética da Câmara no próximo dia 8, mais de um mês depois de ter sido notificado da abertura de processo de cassação contra ele.Enquanto Paulinho não depõe, o colegiado aguarda a chegada dos documentos do Supremo Tribunal Federal (STF) com os dados sigilosos do inquérito sobre o desvio de dinheiro do banco.Paulinho argumenta em sua defesa, segundo informou o advogado Antonio Rosella, que não há indícios de desvio de conduta e inexistem os fatos que foram imputados a ele. O deputado entregou a defesa escrita no conselho na quinta-feira da semana passada. Como testemunhas de defesa, Paulinho pede que sejam ouvidos no processo o ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, e o presidente do BNDES, Luciano Coutinho.O Conselho de Ética não tem poder de convocar os depoentes. Apenas pode convidar o ministro e o presidente do BNDES, assim como todas as outras testemunhas, a comparecem ao colegiado, se quiserem. O presidente do conselho, deputado Sérgio Moraes (PTB-RS), marcou uma reunião hoje, na qual os integrantes do colegiado serão informados sobre o andamento do processo aberto contra Paulinho. Desde que foi tragado pelo escândalo detectado pela Polícia Federal, na Operação Santa Tereza, o deputado aproveita o ritmo dos trabalhos da Câmara para retardar o desfecho do seu processo. Paulinho utilizou, por exemplo, todo o prazo de cinco sessões ordinárias para protocolar sua defesa. A estratégia de retardamento visa a esfriar o caso e a pressão política pela cassação. No dia 18 de julho a Câmara entra em recesso e, entre agosto e o fim de outubro, estará esvaziada por causa do período eleitoral. Isso poderá atrasar ainda mais a conclusão do processo no conselho e, em última instância, no plenário.Além do front parlamentar, Paulinho está sob investigação no Supremo Tribunal Federal (STF). O inquérito foi aberto no início deste mês e as averiguações correm sob segredo de justiça. O ministro que relata o inquérito, Carlos Ayres Britto, autorizou diligências pedidas pelo procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, dentre elas pedidos de quebra de sigilo bancário e fiscal de envolvidos. Se os indícios forem confirmados, Souza deve oferecer denúncia contra Paulinho e pedir que seja aberta uma ação penal no STF.

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