Paulinho muda versão sobre doação à ONG de sua mulher

Ex-consultor do BNDES deu R$ 37,5 mil à Meu Guri, e há suspeita sobre origem do valor; deputado nega

DENISE MADUEÑO, Agencia Estado

09 de julho de 2008 | 14h55

O deputado  Paulo Pereira da Silva  (PDT-SP), o Paulinho, mudou nesta quarta-feira, 9, no segundo dia de depoimento no Conselho de Ética da Câmara, a versão sobre a doação de um apartamento para à ONG Meu Guri pelo ex-consultor do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) João Pedro de Moura. A ONG é da mulher do deputado, Elza Pereira, e Moura é apontado pela Polícia Federal como um dos principais envolvidos em esquema de desvio de recursos do banco estatal. A doação à entidade foi de R$ 37,5 mil e há suspeita de que esse valor tenha sido desviado do BNDES.     Veja também:  Especial: Operação Santa Tereza    Para justificar o depósito de R$ 37,5 mil, Paulinho disse na última terça que Moura tinha doado o imóvel, que vale cerca de R$ 80 mil, à Meu Guri. A ONG não conseguiu vendê-lo e deixou acumular dívidas com taxas condominiais e IPTU. Como a Meu Guri não podia devolver o apartamento, ou seja, reverter a doação, Moura pagou os atrasados e recebeu o imóvel de volta em troca da quantia.   Já no segundo dia de depoimento, Paulinho deu outra versão para o mesmo depósito de R$ 37,5 mil. Afirmou que, na verdade, foi feita uma procuração para que Elza, presidente da entidade, vendesse o imóvel e, com isso, reforçasse os recursos da entidade. "Foi um termo de cessão para a venda. Ele fez uma procuração para que a minha mulher vendesse o apartamento", afirmou Paulinho.   O deputado José Carlos Araújo (PR-BA) não se convenceu da explicação. "O apartamento não explica essa coisa (depósito de R$ 37,5 mil). O apartamento continuou no nome dele (Moura), a dívida era dele, bastava romper a procuração. Não entendi porque esse apartamento entrou no rolo", afirmou o deputado. O parlamentar disse achar estranho a dificuldade na venda do apartamento, porque, segundo ele, basta abaixar o preço do imóvel para aparecer algum comprador.''Equívoco''Paulinho disse que o apartamento entrou na negociação porque o dinheiro de uma eventual venda seria revertido para as crianças atendidas pela ONG Meu Guri, e Moura não podia deixar a entidade sem o dinheiro. "Não era justo que ele pegasse o apartamento de volta. Foi uma compensação", argumentou Paulinho. O advogado do deputado, Leônidas Scholz, afirmou que Paulinho se equivocou no depoimento de terça e que não houve doação com escritura do imóvel. "Houve um equívoco técnico-jurídico", disse. O relator não considerou uma contradição de Paulinho, mas disse que essa operação do apartamento ainda não está bem explicada. Paulinho voltou a negar, na continuidade do depoimento, qualquer envolvimento no suposto esquema de desvio de dinheiro do BNDES.

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