Paulinho entrega defesa do caso BNDES ao Conselho de Ética

Recesso da Câmara em julho e período eleitoral devem atrasar ainda mais a conclusão do processo no conselho

Denise Madueño, de O Estado de S. Paulo,

26 de junho de 2008 | 19h50

Vinte e três dias depois de ser notificado, o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), presidente da Força Sindical, entregou nesta quinta-feira, 26, sua defesa escrita no Conselho de Ética da Câmara. O deputado aproveitou o ritmo dos trabalhos da Casa e usou todo o prazo de cinco sessões ordinárias para protocolar o documento. As festas juninas no Nordeste e o fim do período de convenções para escolha dos candidatos a prefeito esvaziaram a Câmara e muitas sessões deixaram de ser realizadas neste mês. Veja também:Especial: Operação Santa Tereza O presidente do conselho, deputado Sérgio Moraes (PTB-RS), marcou duas datas, 2 e 8 de julho, para o depoimento de Paulinho no colegiado. Caberá ao deputado escolher o dia que preferir. Moraes, no entanto, disse que Paulinho não é obrigado a comparecer para fazer sua defesa oral. "É um convite", disse Moraes. Na defesa escrita, Paulinho apresenta quatro testemunhas que deverão ser também convidadas pelo conselho para depor. Moraes não divulgou o conteúdo da defesa nem a relação dos nomes apresentados por Paulinho. O deputado não quis falar nesta quinta-feira com a reportagem do Estado, que o procurou por diversas vezes durante o dia. O documento assinado por Paulinho e pelo advogado Leônidas Ribeiro Scholz tem 274 páginas numeradas. O relator do processo, deputado Paulo Piau (PMDB-MG), afirmou que espera para o início da próxima semana a chegada no conselho dos documentos que serão enviados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) com os dados sigilosos do inquérito aberto para apurar suposto envolvimento de Paulinho no esquema de desvio de dinheiro do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), descoberto pela Polícia Federal na Operação Santa Tereza. "O relatório da PF é o documento-chave. Foi ali que surgiu o caso e a denúncia", afirmou Piau. A demora na entrega da defesa escrita favorece o deputado. No dia 18 de julho a Câmara entra em recesso e, a partir de agosto até final de outubro, estará esvaziada por causa do período eleitoral, o que poderá atrasar ainda mais a conclusão do processo no conselho e, em última instância, no plenário. O presidente do conselho disse que, apesar desse cenário, cumprirá com o seu trabalho. "Não trabalho com o calendário eleitoral e não posso trabalhar com o recesso. Tenho de fazer o meu trabalho", disse Moares, afirmando que fará os convites que forem necessários para realizar os depoimentos.  

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