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Paulinho da Força 'nomeia' titulares da área agrária

Presidente do Solidariedade e líder sindical indica nomes para órgãos da Casa Civil e leva Rainha até o Planalto

Erich Decat, O Estado de S.Paulo

01 de junho de 2016 | 07h29

BRASÍLIA - Antes mesmo de o governo atender sua reivindicação de criar secretarias ligadas à Casa Civil para tratar de questões fundiárias, o presidente do Solidariedade, deputado Paulinho Pereira da Silva (SP), o Paulinho da Força, já havia indicado ao Palácio do Planalto os nomes para ocupar as posições. A lista é composta por um investigado pelo Ministério Público por improbidade, um militante do partido e até um dirigente do PDT, legenda hoje na oposição e que atua contra o impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff.

Do total de oito nomes indicados, quatro foram confirmados na terça, 31, no Diário Oficial da União. No documento encaminhado ao ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, na semana passada, Paulinho descreve quais são os nomes que devem compor o comando da Secretaria de Agricultura Familiar e Desenvolvimento Agrário. A secretaria e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) – que até então fazia parte do Ministério do Desenvolvimento Social – passaram a fazer parte da estrutura da Casa Civil. A mudança foi uma exigência de Paulinho, que em contrapartida deverá atuar nos movimentos sociais em favor de Temer.

Para a diretoria administrativa da Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater), o deputado indicou Luiz Claudio Souza Macedo, ex-diretor do Instituto de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater/RN). Ele foi alvo de ação civil pública apresentada pelo Ministério Público Federal em 2015 por ato de improbidade. De acordo com o MPF, ele é apontado como responsável por um dano de R$ 425.771,58 aos cofres públicos, em decorrência da instalação de poços em cidades que não enfrentavam situação de emergência. Ele não foi localizado ontem para responder à acusação.

Paulinho também indica para secretário adjunto da Secretaria de Agricultura Familiar o nome de Jeferson Coriteac, atualmente chefe de Gabinete da Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho do Estado de São Paulo. Coriatec já representou a Força Sindical, também presidida por Paulinho, em atividades nacionais e internacionais. Atualmente, ele é responsável pelo departamento de Juventude do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes.

O presidente do Solidariedade também estendeu o pedido para ocupação de cargos no governo Temer a integrantes de outras legendas como o PDT, que votou contra o afastamento de Dilma. Para a diretoria de gestão do Incra, o deputado defendeu a nomeação de Marcelo Pellacani Gambini, que já foi presidente do conselho fiscal do PDT, no diretório estadual de São Paulo. O nome dele foi confirmado ontem para a função.

Além de Gambini, da lista enviada ao Palácio do Planalto na semana passada, Paulinho também conseguiu emplacar ontem o novo presidente do Incra, Leandro Góes Silva, e do diretor de Desenvolvimento de Projetos do Instituto, Ewerton Giovanni dos Santos. O quarto nome confirmado foi o de José Ricardo Ramos Roseno, que irá exercer o cargo de secretário especial de Agricultura Familiar.

Rainha. Como demonstração de que pretende atender a missão dada pelo Planalto de interlocução com os movimentos sociais militantes da causa agrária, o deputado deverá levar o líder sem terra José Rainha para um encontro nesta quarta, 1º, com Temer. Rainha e outros dirigentes da Frente Nacional de Lutas Campo e Cidade (FNL) terão uma audiência com o presidente em exercício, no Palácio do Planalto.

Rainha é dissidente e inimigo do Movimento dos Sem Terra (MST), embora tenha sido, no passado, uma de suas principais lideranças. Ele chegou a ser preso em 2011 pela Polícia Federal, acusado de comandar um esquema de desvios de recursos da reforma agrária no interior paulista. Condenado pela Justiça Federal a 31 anos de prisão, em 2015, ele entrou com recurso e se diz inocente. Paulinho disse que não convidou o MST porque o movimento tem declarado que não reconhece como legítimo o atual governo. “Não tem sentido.” Procurado, o MST não se pronunciou a respeito.

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