Paulinho da Força deve ser absolvido no Conselho de Ética

Levantamento realizado pelo 'Estado' mostra que relatório deve ser rejeitado por 8 dos 15 votos

Eugênia Lopes, de O Estado de S.Paulo

27 de novembro de 2008 | 19h27

Levantamento realizado pelo Estado entre titulares e suplentes do Conselho de Ética da Câmara aponta para a absolvição do deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força. A expectativa é que o relatório do deputado Paulo Piau (PMDB-MG), que pede a cassação do mandato de Paulinho, seja rejeitado por, no mínimo, oito do total de 15 integrantes do Conselho que terão direito a voto na próxima semana. Alguns dos entrevistados preferiram não se manifestar abertamente. Paulinho é suspeito de participar de esquema fraudulento de liberação de verbas do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), descoberto durante a Operação Santa Tereza da Polícia Federal (PF).     Veja Também:  Entenda a Operação Santa Tereza   A provável absolvição de Paulinho no Conselho de Ética faria parte de acordo celebrado no período pré-eleitoral, que viabilizou o apoio do bloquinho _ integrado pelo PDT, PSB, PC do B, PMN e PRB _ à candidatura da ex-ministra Marta Suplicy (PT) à prefeitura de São Paulo. "Tudo indica que houve uma negociação em troca do apoio a candidatura da Marta", afirmou o líder do PSDB, deputado José Aníbal (SP). "O espírito de corpo, a Força Sindical e o peso do presidente Lula tendem a ser muito maiores do que a opinião pública", observou o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ), ao apostar que o processo contra Paulinho na Câmara vai acabar em pizza. A abertura no Conselho de Ética de processo contra o deputado do PDT foi feita pelo PSOL.   O relatório favorável à cassação de Paulinho deverá ser acompanhado apenas pelos partidos de oposição. Os dois deputados titulares do PSDB no Conselho -Mendes Thame (SP) e Ruy Pauletti (RS) -, Moreira Mendes (PPS-RO) e Solange Amaral (DEM-RJ) são votos certos pela cassação. Já o deputado Efraim Filho (DEM-PB) deverá votar contra o relatório. A cúpula do DEM recomendou o voto a favor da cassação, mas decidiu que isso não será tratado como uma questão partidária.     Os integrantes de partidos aliados deverão votar em peso contra o relatório. Piau não deverá ter o apoio nem mesmo dos integrantes de seu partido. "Não existem provas cabais, concretas, contra o Paulinho", argumentou o deputado Wladimir Costa (PMDB-PA), ao justificar o voto contra a cassação. O deputado Antônio Andrade (PMDB-MG) não se pronunciou oficialmente sobre o relatório, mas a amigos confidenciou que está propenso a votar contra.   Os dois representantes do bloquinho no Conselho _ o deputado Dagoberto (PDT-MS) e Abelardo Carmarinha (PSB-SP) _ anunciaram o voto contra o relatório de Paulo Piau. O deputado Sandes Júnior (PP-GO) também deu sinais que votará contra a cassação. Mesma posição deverá ser seguida pelo presidente do Conselho, Sérgio Morais (PTB-RS). O deputado José Carlos Araújo (PR-BA), que deverá votar no lugar do corregedor Inocêncio Oliveira (PR-PE), também deverá votar pela absolvição de Paulinho.   Os dois deputados do PT _ Fernando Melo (AC) e Leonardo Monteiro (MG) _ não se pronunciaram publicamente sobre seus votos. Uma das estratégias para absolvição de Paulinho é que, no lugar dos titulares petistas, votem deputados suplentes da base aliada. Os deputados Marcelo Ortiz (PV-SP) e Hugo Leal (PSC-RJ) são suplentes que estão prontos para derrubar o pedido de cassação. Se os dois titulares petistas não votarem, o relatório de Paulo Piau deverá ser derrubado por dez votos _ contará com apenas cinco favoráveis.   "Espero que o meu relatório seja aprovado pela consistência. Há provas cabais contra a quebra de decoro. Agora não há provas de crime", reconheceu ontem o deputado Paulo Piau. A interlocutores, ele admitiu que dificilmente seu relatório será aprovado. Nas 15 páginas de relatório, Piau apresentou os fatos que o levaram a concluir que "foi montado um esquema fraudulento sobre a liberação de verbas pelo BNDES" com a anuência de Paulinho. Com base no inquérito da Polícia Federal, o relatório aponta que parte do dinheiro liberado pelo BNDES foi distribuído entre Paulinho e outros integrantes do esquema.

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