Paulinho ataca Serra e já admite multa

Deputado fez as declarações na assembleia da Coordenação dos Movimentos Sociais, em SP

Roberto Almeida, O Estado de S.Paulo

31 Maio 2010 | 13h51

Em um ataque frontal às leis eleitorais, o deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força (PDT-SP), aproveitou nesta segunda-feira, 31, o microfone na assembleia da Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS), no centro de São Paulo, para tecer duras críticas ao presidenciável tucano José Serra. "Porque se a gente não falar fica aí esse sujeito tentando ganhar a eleição."

 

"Eu estou falando, e vou falar o nome. Nós não podemos deixar esse José Serra ganhar as eleições. Nós estamos falando e não tem jeito. Eles podem processar e nós vamos falar", disse Paulinho para uma plateia de cerca de mil militantes.

 

O deputado já foi processado quatro vezes por campanha extemporânea - perdeu duas ações, com multas de R$ 7,5 mil. "Por quê? Porque estamos falando a verdade. Eu acho que quando nós não temos Rede Globo, TV Record, meios de comunicação, somos nós que temos de falar", justificou.

 

Em uma saraivada de ataques a Serra, Paulinho, que tratou o presidenciável a todo momento como "sujeito", afirmou que uma possível vitória do tucano pode causar um "conflito social".

 

"Como é que esse sujeito vai ser presidente da República? Vamos ter um conflito na sociedade brasileira com esse sujeito lá. Para impedir que esse conflito aconteça a gente tem de derrotá-lo para aprender a tratar trabalhador", afirmou, ressaltando a greve dos professores e da polícia civil.

 

Paulinho disse ainda que Serra, se eleito, "vai tirar os direitos do trabalhador". "Vai mexer no fundo de garantia, nas férias, na licença maternidade. Por isso temos de enfrentá-lo na rua pra ganhar dele aqui em São Paulo", alfinetou.

 

"Por isso, companheiros e companheiras, é importante, com a unidade dos trabalhadores, dos movimentos sociais, a gente manter o projeto do presidente Lula e eleger a Dilma presidente do Brasil", finalizou o deputado.

 

Na saída do evento, perguntado sobre a possibilidade de uma nova multa, Paulinho admitiu. "É, tomei mais uma hoje."

 

Mais ataques. O discurso de Paulinho foi seguido pelo de Arthur Henrique, presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), que saudou os militantes com um "Bom Dilma". Sobre as multas da Justiça Eleitoral, Henrique foi taxativo. "O que eles estão tentando fazer é inviabilizar a candidatura democático-popular no tapetão do Judiciário."

 

Para o presidente da CUT, eles (os tucanos) "têm todos os veículos de comunicação na mão, mas não estão conseguindo convencer porque não têm projeto". E citou o que considera uma "tentativa de golpe" em 2005 contra Lula - em referência à crise do mensalão.

 

Aquecimento. A assembleia da Coordenação dos Movimentos Sociais, que reúne CUT, UNE, MST e outras 25 entidades, é um aquecimento para a assembleia da Conferência Nacional da Classe Trabalhadora (Conclat), que será realizada amanhã no Estádio do Pacaembu em São Paulo.

 

São esperadas 30 mil delegados de cinco centrais sindicais - Força Sindical, CUT, CTB, CGTB e Nova Central - para aprovar um documento a ser encaminhado para os três presidenciáveis com a pauta de reivindicações. A principal delas é a redução na jornada de trabalho.

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