Patrus quer reajustar Bolsa-Família contra alta de alimentos

Ministro diz que reajuste seria de 6 %, o que segundo Patrus equivaleria ao aumento dos gastos com alimentos

REUTERS

06 de junho de 2008 | 13h28

O ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, vai propor um reajuste no valor dos benefícios pagos pelo programa Bolsa-Família por conta do aumento dos custos dos alimentos. O reajuste seria de 6 por cento, o que segundo Patrus equivaleria ao aumento dos gastos com alimentos, disse o ministro nesta sexta-feira, durante cerimônia no Palácio do Planalto.  Veja Também: Com alimentos, inflação para baixa renda acelera pela 3ª vez O percentual proposto é um dos cenários que Patrus pretende apresentar ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Se aprovado, o aumento seria concedido quatro meses antes das eleições municipais. O aumento anterior ocorreu em julho do ano passado. O Bolsa-Família, principal programa social do governo, concede benefícios entre 18 e 172 reais dependendo da renda e da composição de cada família. O programa, que atinge 11,1 milhões de famílias, incluiu um número maior de beneficiados recentemente, quando aumentou a faixa etária dos adolescentes participantes de 15 para 17 anos. Dados da Fundação Getúlio Vargas (FGV) indicam que inflação da camada mais pobre da população está acima da variação de preços das demais classes de renda. A FGV prevê que a tendência deve continuar em razão da pressão dos alimentos. O Índice de Preços ao Consumidor da baixa renda (IPC-C1) subiu de janeiro a maio 4,62 por cento e, em 12 meses, 8,24 por cento. Patrus disse que participará de campanhas eleitorais nos finais de semana e que levará em consideração a postura ética.  O que é Bolsa-Família  Criado em 2004, a partir da reforma e fusão de programas de transferência de renda já existentes, o Bolsa-Família beneficia famílias em situação de pobreza - com renda mensal por pessoa de R$ 60 a R$ 120 - e extrema pobreza - com renda mensal por pessoa de até R$ 60. Para permanecerem no programa, as famílias precisam cumprir determinadas condições, como a permanência das crianças de até 15 anos na escola, com freqüência mínima de 85%; e a atualização das carteiras de vacinação. Atualmente são atendidas 11 milhões de famílias. Uma das principais críticas que se faz a essa iniciativa é que abre portas de entrada para as famílias, mas não oferece portas de saída. Sem elas, o que deveria ser um programa emergencial, para ajudar os beneficiários a superarem situações de pobreza e miséria, tende a tornar-se permanente. 

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