Patrus e Aécio trocam farpas em Minas Gerais

Para petista, governo do PSDB no Estado é 'projeto do atraso'; tucano diz que rival corre risco de sair das eleições 'menor do que entrou'

Eduardo Kattah e Marcelo Portela/BELO HORIZONTE , O Estado de S.Paulo

13 de setembro de 2010 | 18h14

O acirramento da disputa entre petistas e tucanos na eleição presidencial está se refletindo na campanha pelo governo de Minas. Candidato a vice na chapa de Hélio Costa (PMDB) e coordenador da campanha de Dilma Rousseff (PT) no Estado, Patrus Ananias (PT) atacou nesta segunda-feira, 13, o presidenciável tucano José Serra e a gestão do PSDB no Estado, provocando reação do ex-governador Aécio Neves - para quem o ex-ministro "corre o risco de sair dessa eleição muito menor do que entrou."

 

Estrela do PT na campanha majoritária, Patrus aproveitou um "bandeiraço" com militantes do partido em Belo Horizonte para afirmar que Serra mancha sua biografia com um "jogo rasteiro na reta final das eleições" e acusações "grosseiras" a petistas. "O candidato do PSDB poderia perder com dignidade. A gente pode perder tudo, exceto a honra", afirmou o ex-ministro, que também chamou o governo do PSDB em Minas de "projeto do atraso".

 

Por trás dos ataques a Serra está a tática da aliança entre PT e PMDB de tentar nacionalizar a disputa em Minas. A 19 dias da votação em primeiro turno, a campanha de Costa aposta no presidente Luiz Inácio Lula da Silva como cabo eleitoral para confrontar a popularidade de Aécio no segundo colégio eleitoral do País. Nesta segunda, o programa no programa eleitoral na TV foram exibidas imagens de Lula e Dilma pedindo votos para o candidato do PMDB durante o comício em Betim, na semana passada. O programa exibiu também um depoimento de apoio do vice-presidente José Alencar.

 

"Não querem nacionalizar (a campanha). Claro, vão trazer quem? Serra? Fernando Henrique Cardoso? Nós trazemos Lula. Não podemos permitir que aqui vença o projeto do atraso", provocou Patrus.

 

Em Santa Luzia, na região metropolitana da capital, Aécio foi irônico na resposta: "É surpreendente essa posição realmente do senhor Patrus. Não sei se em razão da queda nas pesquisas ou do nosso crescimento (da candidatura de Anastasia)", disse. "Acho que o senhor Patrus corre o risco de sair dessa eleição muito menor do que entrou."

 

O ex-governador já havia chamado de ''patética'' a disposição do ex-ministro de promover um duelo de popularidade entre ele e Lula na disputa pelo Palácio Tiradentes.

 

Continuidade

 

A campanha de Anastasia confia que a tendência entre o eleitorado do voto pela continuidade levará à reeleição do governador tucano. O discurso é de resignação em relação ao "Dilmasia" - apoio simultâneo dos eleitores mineiros à presidenciável do PT e ao governador do PSDB.

 

"É muito difícil você conceber a ideia de que o Aécio vai transferir influência para o candidato à sucessão, Antonio Anastasia, e conseguindo isso com êxito, esse fenômeno não ocorra também com o Lula", observou o deputado Nárcio Rodrigues, presidente do PSDB-MG e coordenador do conselho político da campanha tucana. "Estamos assistindo é a cristalização de uma tendência de continuidade dos quadros administrativos que estão colocados no plano nacional e no plano estadual."

 

Desde o início da campanha no rádio e na TV, Serra tem sido praticamente ignorado nos programas de Anastasia e Aécio. Reservadamente, tucanos mineiros alegam que "não podem ir além do razoável" no apoio ao presidenciável e que o protagonista da disputa nacional é o ex-governador de São Paulo. "Somos coadjuvantes."

 

O núcleo de estratégia de comunicação da campanha estadual, conforme Nárcio, é coordenado por Andréia Neves, irmã de Aécio. O Estado procurou nesta segunda-feira, 13, o coordenador da campanha de Serra em Minas, deputado Rodrigo de Castro, mas não obteve retorno. A assessoria de Castro informou que ele estava em viagem e não havia sido localizado.

 

Liderança

 

No PSDB mineiro, a perspectiva de triunfo das candidaturas de Anastasia e do ex-presidente Itamar Franco (PPS), candidato ao Senado, já anima projeções sobre o papel de Aécio - que deverá ser eleito senador com enorme votação - como liderança nacional tucana.

 

"Ele será responsável por uma articulação política que vai obrigar o governo a negociar com o Parlamento", acredita o presidente do PSDB-MG. "Tudo indica que ele chegará (ao Senado) na companhia do presidente Itamar Franco e tendo lá o Eliseu Resende (senador do DEM), que foi eleito pelo nosso grupo (...) Pode anotar: o Aécio vai ser qualquer coisa no Congresso Nacional, menos um qualquer. Terá um papel preponderante no estabelecimento da nova agenda política do País."

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