Patrus ataca mídia por noticiar fraude no Bolsa-Família

Para ministro, setores minoritários, com influência nos meios de comunicação, são intolerantes com pobres

Eduardo Kattah, O Estadao de S.Paulo

16 de maio de 2009 | 00h00

Demonstrando contrariedade com a abordagem da imprensa às fraudes detectadas recentemente no programa Bolsa-Família, o ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias, afirmou ontem que setores minoritários do País, com influência nos meios de comunicação, são intolerantes "com os direitos e com as lutas dos pobres". No início do mês, uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) apontou que mortos, políticos eleitos, suplentes e outras pessoas que não teriam direito recebem o benefício. O ministro acredita que falta boa vontade com as políticas sociais do governo e classificou como "muito ruim" a expressão portas de saída, usada para caracterizar uma etapa posterior ao programa de transferência de renda."Traduz um sentimento assim: quando essas pessoas vão sair daí? Como se os pobres fossem incômodos. Na minha terra, no norte de Minas, porta de saída é a serventia da casa", disse. "Nós queremos cada vez mais é ampliar as portas de entrada, para que os pobres cada vez mais tenham entradas no Brasil. Portas de entrada para a inclusão, portas de entrada para o trabalho, portas de entrada para a educação, portas de entrada para a dignidade, para a cidadania." ANIMOSIDADEO relatório do Tribunal de Contas da União constatou indícios de fraude no pagamento de cerca de 106 mil benefícios, o equivalente a 3,4% da folha mensal de pagamentos. Em uma palestra para assistentes sociais, em Belo Horizonte, Patrus falou em somente mil casos suspeitos e observou que o Bolsa-Família atende mais de 11 milhões de famílias no Brasil.Para o ministro, as notícias sobre a auditoria refletem uma "animosidade" com o programa e avaliou que "o retrocesso é possível" porque existe ainda no Brasil forças políticas e econômicas minoritárias, mas poderosas, que são contrárias às políticas sociais. "Os nossos adversários não descansam. Ainda tem gente no Brasil com mentalidade escravocrata", afirmou. "É impressionante, qualquer problema que aparece, como que eles veem com sofreguidão, o que expressa a animosidade que eles têm com qualquer dinheiro direcionado aos pobres. O País aceita sem discussão nenhuma subsídios para os ricos." Patrus disse que as denúncias estão sendo apuradas e em entrevista ponderou, destacando a importância do TCU e da imprensa no combate a fraudes e equívocos do programa, "ainda que localizados".Segundo ele, o governo tem dado "forte ênfase" à capacitação profissional dos beneficiários, por meio de convênio com empresas e oportunidades geradas pelos investimentos e obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).O ministro considerou positivo o fato de o PSDB ter realizado recentemente um seminário em João Pessoa (PB) sobre os programas de transferência de renda, assumindo o discurso de que é a favor do Bolsa-Família, mas com a preocupação de fazer "avançar" as políticas sociais. "Acho bom que eles estejam discutindo isso, aplaudo."VIRADA HISTÓRICAPatrus reconhece que o programa teve antecedentes no governo Fernando Henrique Cardoso, com o Bolsa-Escola e o Bolsa-Alimentação, mas afirma que a "virada histórica" ocorreu na atual gestão.O ministro ressaltou que o governo está empenhado em criar uma base jurídica para a manutenção dos programas sociais. "No sentido que esses programas se tornem cada vez mais políticas públicas, políticas de Estado. Ou seja, para mudá-los ou para haver qualquer retrocesso tem de mudar a lei. Em alguns até nós estamos procurando colocar no campo constitucional."

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