Patrulheiro que atropelou aposentado responderá processos

O patrulheiro rodoviário que atropelou e causou a morte do aposentado Jarbas Miranda Coelho, de 83 anos, durante a passagem da comitiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por Belo Horizonte, na última sexta-feira, responderá por dois processos. O primeiro, por homicídio culposo, na Justiça Comum, e o segundo, administrativo, que será instaurado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF). Com a presença de amigos e familiares, o aposentado foi sepultado no final da tarde deste sábado, no Cemitério Parque da Colina, na capital mineira.De acordo com o inspetor Júnior, o batedor, que terá sua identidade preservada, responderá um processo administrativo que irá apurar a sua responsabilidade ou não na morte do aposentado. "A Polícia Civil, assim como em qualquer acidente, irá apurar as causas da ocorrência. Da mesma forma, a Polícia Rodoviária Federal também irá abrir procedimento administrativo", afirmou o inspetor.AcidenteO acidente ocorreu pela manhã, quando a comitiva do presidente deixava o hotel para participar de um encontro com empresários. O aposentado foi imediatamente socorrido pela ambulância do comboio presidencial e levado para o Hospital Municipal Odilon Behrens, onde foi operado. Porém, não conseguiu resistir aos ferimentos e morreu no final da noite de sexta.Antes de ser atingido por um dos batedores da comitiva, assim como fazia todas as manhãs, Jarbas estava fazendo caminhada próximo à sua casa. O aposentado sofreu fraturas na pélvis, no baço, teve também o rim atingido, e ainda uma costela, a mão esquerda e o antebraço fraturados.Apesar do clima de comoção, os familiares encararam a morte do aposentado com naturalidade. "Não é o momento para tomarmos nenhuma decisão. Afinal, não há dinheiro que pague a morte do meu pai. E, pelo que constatamos, foi uma fatalidade. Também não queremos crucificar o patrulheiro que agiu como deveria em caso de qualquer acidente", explicou o filho do aposentado, Jarbas Eduardo Paes Leme, ressaltando que não pretende pedir indenização. Além de receber o seguro obrigatório, a família do aposentado teve as despesas do funeral pagas pela Presidência da República.A inspetora Maria Inês Miranda Mendonça, assistente social da PRF, informou que o patrulheiro também está bastante abalado com a situação. "Ele também é pai de família. Apesar de sabermos que isso pode acontecer por causa da profissão, ninguém espera uma coisa dessas", disse a inspetora, confirmando que o patrulheiro tomou todas as medidas necessárias para socorrer o aposentado.

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