Patriota diz que vizinhos confiam no Brasil

O ministro das Relações Exteriores, Antonio de Aguiar Patriota, disse hoje que há "muita confiança" da América do Sul no "aprofundamento" da integração entre o Brasil e países vizinhos. O comentário foi feito após divulgação pelo grupo Wikileaks de telegramas da diplomacia americana em que países sul-americanos demonstram incômodo com a atuação brasileira durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva.

RAFAEL MORAES MOURA, Agência Estado

18 de fevereiro de 2011 | 16h43

"Sem dúvida, o Brasil passou a ocupar mais espaço, passou a ter agendas diplomáticas inovadoras e a inovação às vezes surpreende, é natural que haja reações de diversos tipos, até mesmo entre nações amigas", disse o ministro, após receber no Itamaraty o chanceler português, Luís Amado.

Durante o governo Lula, Patriota foi secretário de planejamento diplomático, chefe de gabinete do então ministro Celso Amorim, subsecretário-geral político do Itamaraty, embaixador do Brasil em Washington e secretário-geral das relações exteriores.

Para o ministro, foi feito "um trabalho muito intenso" de esclarecimento com os países sul-americanos do "espírito em que as ações" brasileiras eram tomadas. "Posso afirmar, com confiança, já me encontrei com cinco chanceleres sul-americanos, cinco chefes de Estado me receberam, e pude constatar que há muita confiança nesse espírito em que se desenvolve esse aprofundamento da nossa integração. E também do espírito que envolve outras iniciativas, como o grupo Ibas (India-Brasil-África do Sul) ou as cúpulas que reúnem América do Sul e mundo árabe", afirmou.

Na manhã de hoje, Patriota falou ao programa radiofônico "Bom dia, ministro". Perguntado sobre o acordo mediado por Brasil e Turquia com o Irã, afirmou que é "interessante manter um diálogo" com aquele país. "É interessante manter um diálogo com o governo iraniano, até mesmo para diminuir as tensões, porque o isolamento às vezes só exacerba o que é já é uma situação preocupante e que pode levar a um conflito. Nossa preocupação principal é de contribuir também para a paz mundial", disse.

"O que houve não foi propriamente uma aproximação com o governo do presidente Ahmadinejad, e sim um esforço de contribuir para a criação de confiança entre países como EUA e Irã e contribuir para que houvesse uma solução diplomática para essa questão que é uma das mais espinhosas e complicadas da agenda internacional. Aliás, continua sendo esse o propósito da diplomacia brasileira", disse.

Sobre a polêmica envolvendo a emissão de passaportes diplomáticos, Patriota disse que esse tipo de passaporte "não traz grande benefício adicional". Segundo o ministro, o passaporte comum brasileiro "já é muito respeitado" no exterior.

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