Patriota aponta grande imprevisibilidade na Síria

O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, disse nesta sexta-feira que há um "grau elevado de imprevisibilidade" sobre os próximos acontecimentos na Síria. O comentário foi feito após o Itamaraty comunicar, em nota, que está transferindo temporariamente a embaixada de Damasco, na Síria, para Beirute, no Líbano.

RAFAEL MORAES MOURA, Agência Estado

20 de julho de 2012 | 12h17

"A situação (na Síria) está se deteriorando, há um grau elevado de imprevisibilidade sobre o que poderá ocorrer nos próximos dias, de maneira que evitar viagem a Síria no momento seria o mais prudente. A menos que haja uma situação muito urgente", afirmou o ministro, depois de participar de cerimônia na Base Aérea de Brasília.

"Com esse nível de violência, a primeira prioridade (na região) é um cessar-fogo, é o fim da violência. A capital Damasco vem enfrentando um combate cada vez mais violento nas ruas, inclusive a região onde fica a embaixada (vem) passando a fazer parte de uma zona que começa a se transformar em zona conflagrada", disse. De acordo com o ministro, a decisão pela transferência da embaixada ocorreu após contatos frequentes com o embaixador brasileiro na Síria, Edgard Casciano, outras embaixadas da região e a Liga Árabe.

"Estamos zelando pela segurança de todos e felizmente falei hoje pela manhã com o embaixador, que já chegou a Beirute, está bem, e continuará lá temporariamente. A embaixada não foi fechada, haverá funcionários que vão responder por pedido de apoio consular, e o consulado em Beirute está sendo reforçado para atender a eventuais demandas", afirmou o ministro.

Questionado se o governo estuda retirar os brasileiros que vivem na região, Patriota respondeu: "Os 3 mil brasileiros são brasileiros e sírios, eles têm dupla nacionalidade, a grande maioria tem pequenos negócios, construiu sua vida na Síria e não tem de partir. Todos aqueles que pedirem apoio pra partir, obviamente nós daremos, mas tem sido um numero relativamente pequeno."

De acordo com Patriota, é possível que o Conselho de Segurança das Nações Unidas delibere nesta sexta-feira se deverá ser prorrogada a missão de observadores das Nações Unidas na Síria, medida apoiada pelo Brasil. "Consideramos que isso será uma medida necessária para manter o mínimo de presença das Nações Unidas na Síria", afirmou.

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