Patrimônio pessoal de empresário reforça indícios

Movimentação chega a ser 69 vezes maior do que o valor de rendimentos declarados, afirma PF

Ricardo Brandt, Fausto Macedo, Julia Affonso, Mateus Coutinho e Fábio Serapião/Brasília, O Estado de S. Paulo

10 de julho de 2016 | 08h05

O patrimônio pessoal de Carlos Roberto Cortegoso e seus negócios imobiliários com o pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reforçam as suspeitas da força-tarefa da Lava Jato e da Custo Brasil de que o empresário está envolvido em lavagem de dinheiro.

“A movimentação de Cortegoso chama a atenção por ser, em muitos casos, 69 vezes maior do que o valor de seus rendimentos declarados”, afirmou representação da Polícia Federal, na Operação Custo Brasil. 

Documento da Receita Federal com base em dados de 2010 a 2014 mostra que a movimentação financeira de Cortegoso foi superior aos rendimentos declarados. “Embora tenha declarado renda de R$ 10 mil por mês, (Cortegoso) movimentou R$ 1.450.199,00 em um ano”, afirmou a Procuradoria.

O ex-vereador do PT Alexandre Romano, que fechou acordo de delação premiada, afirmou que Cortegoso “aparentava ser uma pessoa simples”. “Carlão conversava abertamente que tinha sido garçom, mas que tinha aberto essa empresa para atender o PT e que ele fazia todos os eventos do partido”, afirmou 

Documento da Receita informou também que, entre 2010 e 2012, Cortegoso negociou sete imóveis com Bumlai. Os terrenos foram vendidos sem lucro. Para adquirir os bens, o empresário usou a CRLS Consultoria e Eventos. Um dos imóveis foi vendido por R$ 4 milhões. Bumlai nega irregularidades no negócio.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.