Pataxós invadem mais uma fazenda na Bahia

Os índios pataxós da Reserva Caramuru Catarina Paraguaçu, do município de Pau Brasil, a 550 quilômetros da capital baiana, retomaram a estratégia de ocupar fazendas situadas em terras cuja posse eles reivindicam desde 1936. Nos últimos dias, 19 fazendas foram invadidas pelos índios. Na manhã de hoje foi ocupada a propriedade pertencente ao maior latifundiário da região, Durval Santana, ex-prefeito de Pau Brasil.O clima é tenso na região porque os fazendeiros querem ser indenizados pela Fundação Nacional de Apoio ao Índio (Funai) pelas terras invadidas. Os índios acusam os fazendeiros de contratarem pistoleiros para pressioná-los a abandonar as fazendas. Temendo um conflito, o governo baiano deslocaram para a área 120 policiais militares. Gérson Pataxó, cacique e comandante da invasão, determinou o fechamento do acesso da reserva e manteve ontem dois funcionários da Funai como reféns, exigindo que o órgão vistoriasse as fazendas ocupadas hoje, visando a uma futura desapropriação. Os funcionários foram liberados na manhã de hoje após os pataxós receberam uma carta da Funai se comprometendo a realizar a vistoria. Gérson Pataxó mantém uma espécie de quartel general das invasões na Fazenda São Bento, que pertence ao presidente da Câmara de Vereadores de Pau Brasil, Gildásio Edwigens (PFL). Os índios reivindicam uma área de 52 mil hectares que está ocupada por 400 fazendas. A área das propriedades invadidas representa apenas 10% desse total. Nos últimos 20 anos, 15 pessoas morreram em conflitos pelas terras - 13 índios e dois policiais. Os pataxós decidiram retomar as fazendas à força a partir de 1998, durante os protestos contra a morte do índio Galdino de Jesus, queimado vivo em Brasília por jovens da classe-média. Galdino era uma das lideranças que lutavam pela posse da terra dos pataxós em Pau Brasil.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.