Pataxós e outras tribos vão acompanhar júri com rezas

O Tribunal do Júri reservou 32 dos 274 lugares da sala de sessão para a família de Galdino Jesus dos Santos, que começou a chegar neste domingo de Pau-Brasil, na Bahia, onde trava uma disputa histórica com fazendeiros pela retomada das terras. O pai do pataxó, Juvenal Rodrigues, não participará do julgamento, pois sua saúde é precária, principalmente depois da morte do filho. A mãe, Minervina, também doente, estará em uma das primeiras fileiras. Durante o julgamento, os índios e entidades vão fazer manifestações na Praça do Compromisso, local onde Galdino foi queimado e está instalada uma escultura em sua homenagem. O monumento, ao contrário do caso que chocou o País, foi esquecido e hoje é simplesmente uma estátua pichada e usada como esconderijo por viciados em drogas. No local, os pataxós - cerca de 60, conforme expectativa dos organizadores das manifestações - vão fazer rezas e uma vigília, que deve reunir integrantes de outras tribos. Entre os líderes que estarão em Brasília, o mais importante é Gerson, irmão de Galdino, hoje responsável pelo enfrentamento em Pau-Brasil. Os dois ônibus que trazem os pataxós deveriam chegar no início da madrugada desta segunda ao Distrito Federal. Quase todas as pensões localizadas na região onde Galdino morreu se encontram lotadas de índios de outras tribos, que estão desde a semana passada em Brasília. O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) também abriga mais indígenas em uma chácara.FamíliasProvavelmente próximos da família de Galdino estarão integrantes de três outras famílias, mas de classe média de Brasília, ao contrário do índio, que era pobre e sempre viveu na aldeia Caramuru, em Pau-Brasil. Entre eles, o juiz federal Novély Vilanova da Silva Reis, pai de Novély, um dos quatro acusados. Na defesa dos jovens estará outro parente, o ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Walter Medeiros, padrasto de Max Rogério Alves. O argumento que será usado por Medeiros é o mesmo que o dos outros dois advogados de defesa: os rapazes não tiveram a intenção de matar o índio pataxó e tudo não passou de uma brincadeira. Tese que o promotor Maurício Miranda pretende rebater com os depoimentos do chaveiro Nairo Euclides Santos Magalhães, que ajudou a socorrer Galdino. De seu carro, o chaveiro notou o fogo e um grupo correndo na direção de um Monza, que saiu velozmente. Magalhães seguiu o carro até anotar a placa e voltou para ajudar o índio. Usou o extintor de seu carro para apagar as chamas. "A cara dele desmanchava. A pele do braço saía sozinha", contou a testemunha na época. Também vão depor pela acusação o advogado Evandro Castello Branco - filho do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Sepúlveda Pertence, que também ajudou no socorro - e o frentista Adailto Ribeiro, que vendeu o combustível para os rapazes. Na acusação ainda estará o deputado e advogado Luis Eduardo Greenhalgh, ligado à Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados.

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