Pastoral quer atender 40% das crianças

A fundadora e coordenadora da Pastoral da Criança, Zilda Arns Neumann, que recebeu hoje o título de Cidadã Paulistana da Câmara Municipal de São Paulo, afirmou que a meta da entidade é atender 40% das crianças brasileiras da faixa de etária até cinco anos, que são justamente aquelas de famílias com renda mensal de até um salário mínimo. Hoje, a Pastoral assiste 1,6 milhão de crianças, que representam apenas 8,3% do universo potencial do programa. Para o ano que vem, segundo a médica sanitarista, o nível de atendimento e de voluntários deve crescer 10%, média que ela quer ver repetida nos próximos anos, até que o programa atinja a abrangência pretendida.A Pastoral da Criança, criada em 1983, também já está servindo de modelo em outros 12 países. "Há forte demanda na África e na América do Sul", disse Zilda, destacando Angola, Moçambique, Guiné-Bissau e Colômbia. Zilda orgulha-se em dizer que na Pastoral a taxa de mortalidade infantil é de 13 para cada mil no primeiro ano de vida, contra a média de 34,6/1000 fora do programa. "Salvamos cinco mil crianças da morte todos os anos", disse. A Pastoral atua exclusivamente em bolsões de pobreza e miséria e conta com forte ajuda do governo: 80% do orçamento de R$ 16,5 milhões.A Pastoral, que concorreu ao Nobel da Paz deste ano, age exclusivamente por meio de voluntários. São 150 mil atualmente, praticamente o mesmo números de agentes de saúde do governo (160 mil), que atuam no combate à desnutrição e à mortalidade infantil. "Somos uma entidade suprapartidária e supra-religiosa, atendemos gestantes e crianças carentes, independente de raça, crença religiosa ou política", ressaltou a médica. Por mês, são acompanhadas em média 77 mil gestantes espalhadas por 3.403 municípios.

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