Pastoral não aceita posição do MST e cobra duramente governo Lula

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é a principal causa de atritos entre a CPT e o MST. Enquanto a Pastoral insiste na crítica dura ao presidente e mantém antigas bandeiras, como a imposição de limites ao tamanho da propriedade rural, o MST desenvolve uma linha mais pragmática - com um discurso público enérgico e, ao mesmo tempo, de abertura nas negociações de questões práticas da reforma agrária.Na opinião de técnicos do Incra, o MST tem necessidade de atender com rapidez às demandas dos acampamentos e assentamentos sob sua bandeira - e por isso é mais pragmático, enquanto a CPT insiste em marcar posição.Para os críticos do movimento, porém, trata-se de um erro. Dizem que o MST montou uma estrutura institucional gigantesca, que abrange da área educacional à assistência técnica, e por isso fica cada vez mais dependente da liberação de recursos do governo para manter essa estrutura funcionando. Ele estaria perdendo a mobilidade característica de movimentos.Se antes a CPT apoiava de modo quase incondicional as ações do MST, hoje reluta em alguns casos. Na Bahia, agentes pastorais ajudaram a fundar um movimento de pequenos agricultores que não se sentiam à vontade sob a liderança do MST nem da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag).As mudanças também estão ligadas à franca diminuição dos recursos que eram enviados à Igreja do Brasil por organizações religiosas internacionais. Isso estaria obrigando as pastorais sociais a assumirem um perfil mais parecido ao de organizações não-governamentais, mais laico, com menos ênfase nas questões pastorais e evangélicas.Ao comentar essas questões para o Estado, o bispo d. Tomás Balduíno, uma das lideranças mais expressivas da CPT, disse que, apesar das características próprias de alguns Estados, a entidade não pretende ser protagonista: "A CPT sente-se fortalecida quando os movimentos sociais avançam em sua luta pela causa da terra."Sobre divergências políticas entre as entidades, respondeu que o diálogo entre elas é antigo e sempre deu bons resultados: "As divergências fazem parte do relacionamento e da evolução da luta."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.