Pastoral liga queda de conflitos ao Bolsa-Família

Em 2007, não foi só o andamento da reforma agrária que perdeu impulso. O número de conflitos agrários também teve queda: passou de 1.042 casos em 2006 para 540 em 2007, de acordo com pesquisa da Comissão Pastoral da Terra (CPT).No governo, a queda é comemorada como resultado de uma política mais eficaz do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Há, no entanto, outras interpretações para esse fato.A CPT aponta uma razão inversa à do governo: à medida que o governo demora para atender os sem-terra, eles ficam desestimulados e deixam de lado as ocupações de terra."O governo Lula já deixou claro que a reforma agrária não é uma prioridade em seu governo", diz o bispo d. Tomás Balduíno, conselheiro da CPT. "O foco do governo aponta para outra direção, a do agronegócio. Isso desanima os movimentos dos sem-terra."Para o bispo, as possibilidades de avanço da reforma pioram com as transações do governo com sua base de apoio parlamentar. "No esforço do governo para aprovar a CPMF, foram postas na mesa de negociações as superintendências do Incra em diversos Estados, como Mato Grosso do Sul, Goiás e Amazonas. O governo perdeu na votação, mas manteve de pé os compromissos que negociou com a base de apoio."Outro problema para os movimentos dos sem-terra é o programa Bolsa-Família. Ao dar um mínimo de condições para as famílias mais pobres se alimentarem, ele estaria arrefecendo o ímpeto das invasões de terras. "O programa tem um lado positivo, num universo de pobreza extrema", diz d. Tomás. "Mas, por outro lado, ele adia soluções estruturais para os problemas do País."

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