Pastoral da Terra acusa polícias do Pará

A Comissão Pastoral da Terra (CPT) do sul do Pará divulgou hoje seu relatório sobre conflitos no campo no ano passando, acusando as Polícias Civil e Militar do Estado de perseguirem sindicalistas e líderes de trabalhadores rurais das 160 fazendas invadidas e ocupadas naquela região por 15 mil famílias."A repressão e as ameaças, principalmente contra dirigentes do MST, estão jogando na clandestinidade aqueles que lutam pela verdadeira reforma agrária", afirmou o coordenador da CPT, José Batista Gonçalves Afonso. Segundo o relatório, as ocupações de fazendas caíram de 32 para 19.Ocorreram 14 ameaças de morte e 630 famílias despejadas por mandados de reintegração de posse. Em relação ao trabalho escravo, no ano passado agentes da Polícia Federal e fiscais do Ministério do Trabalho libertaram 334 pessoas. "Há fazendeiros reincidentes nessa prática, mas até hoje não foram punidos pela Justiça Federal", criticou Batista.O relatório revela que em municípios como Parauapebas, Curionópolis, Eldorado dos Carajás e São Geraldo do Araguaia não existem mais latifúndios porque todos foram ocupados por trabalhadores sem terra. As novas frentes de ocupação agora estão concentradas em Marabá, Tucuruí, Bannach e Rondon do Pará.Neste último município, dos 800 mil hectares de terras que poderiam ser utilizadas na reforma agrária, cerca de 130 mil teriam sido "griladas" do Estado por fazendeiros, segundo a CPT.

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