Passeata no Rio de Janeiro reúne 2 mil pessoas

Críticas foram contra a PEC 37 e pedidos de ações contra corrupção e de mais verbas para saúde e educação

Vinicius Neder e Felipe Werneck, O Estado de S. Paulo

23 Junho 2013 | 20h23

Uma passeata que começou com 300 manifestantes em Copacabana e terminou, cinco quilômetros adiante, com cerca de 2.000 pessoas concentradas próximo à casa do governador Sergio Cabral (PMDB), percorreu a orla carioca com diversas palavras de ordem. No início, predominaram as críticas contra a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 37, que restringe poderes de investigação do Ministério Público, pedidos de ações contra corrupção e de mais verbas para saúde e educação. No fim, prevaleceram críticas ao governador e ao prefeito Eduardo Paes (PMDB).

O protesto começou às 16 horas e até o início da noite não havia sido registrado nenhum incidente. O quarteirão onde está localizado o prédio do governador, numa rua transversal à praia, foi isolado e protegido por um contingente de certa de 200 policiais militares.

Durante a passeata, os manifestantes pediam o apoio dos moradores. Em resposta, moradores dos apartamentos em frente à praia de Ipanema e Leblon (um dos metros quadrados mais caros do País), acendiam e apagavam as luzes. O clima, em geral, foi festivo e as manifestações, diversas. Havia cartazes contra e a à favor da presidente Dilma Rousseff, mas poucos.

Um manifestante carregava cartaz contra o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Muitos levavam cartazes contra o deputado Marcos Feliciano, presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara. O presidente da Associação Nacional de Militares do Brasil, Marcelo Machado, carregava uma faixa com a frase "Forças Armadas prontas com o povo" e disse que seu objetivo era mostrar que os militares apoiam o povo.Segundo ele, o repúdio à PEC 37 é o mais importante dos assuntos em pauta. "Ela pode inibir a investigação sobre a corrupção".  

Quando a passeata chegou a Ipanema, pouco antes de 18 horas, os manifestantes tomaram a pista da Avenida Vieira Souto próxima aos prédios, que, diferentemente da pista junto à praia, não estava interditada. Agentes da CET-Rio afiram então para fechar ao trânsito toda a orla.

Pouco depois, na chegada da passeata ao local onde um grupo de cerca de 20 jovens montou acampamento desde a noite de sexta-feira, em ato de protesto contra o governador, um dos acampados discursou com um megafone. Pregou a não violência, pediu que os protestos sejam pacíficos e emendou reivindicando investigação sobre suposto envolvimento do governador Cabral com o escândalo no qual a construtora Delta, do empresário Fernando Cavendish, ocupou o centro de investigações sobre superfaturamento de obras.

O discurso foi recebido por um coro de manifestantes com palavras de ordem contra o governador e depois, com todos cantando o Hino Nacional. Foram entoados cantos chamando Cabral de ditador, chamando os policiais que faziam a proteção do bloqueio para passar para lado dos manifestantes e fazendo alusão ao fato de o governador estar em Paris.

A assessoria de Cabral, contudo, negou que o governador esteja fora do País. Não foi confirmado se ele estaria em casa, pois, segundo a assessoria, Cabral não tinha agenda pública neste fim de semana. Já no Leblon, Cibele Clauver e sua filha, Maria Clauver, moradoras do Leblon, carregavam um cartaz escrito "Não PEC, amém". Cibele criticou o foco excessivo na figura de Cabral no fim da passeata. "Escolhi esse tema (contra a PEC 37), mas o importante é repensar o País".

Durante o dia, restaurantes e supermercados de Copacabana foram protegidos por tapumes de madeira para evitar depredações durante a manifestação. O shopping Rio Sul, próximo ao túnel que liga Botafogo a Copacabana, anunciou na véspera que não abriria no domingo, por causa da manifestação.

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