Passeata contra apagão vira palanque de Garotinho

A passeata Contra o Apagão e pela CPI da Corrupção ? que reuniu 35 mil pessoas, de acordo com a Polícia Militar ? virou palanque para a campanha presidencial do governador Anthony Garotinho (PSB). O tom de propaganda política ficou nítido pela presença de militantes uniformizados, centenas de pessoas que participam de programas do governo, como o Vida Nova e o Jovens pela Paz, além de faixas de apoio e agradecimento ao governador.O secretário de Estado do Meio Ambiente, André Corrêa, abriu o ato aos gritos de ?Garotinho, presidente do Brasil?. O presidente nacional do PT, deputado José Dirceu, participou do ato e disse que o importante é que os partidos de oposição estejam juntos no segundo turno das eleições de 2002.A manifestação, que deixou a Candelária às 16h20 em direção à Cinelândia, chegou a ser interrompida. ?A ordem é esperar o governador?, explicou o comandante de Operações Especiais da PM, coronel Francisco D?Ambrósio, a uma militante que queria saber porque a passeata havia parado.Somente com a chegada de Garotinho, às 16h45, o ato teve continuidade. Até a banda do Cordão do Bola Preta ? tradicional bloco de carnaval carioca ? apareceu vestida com a camisa de Garotinho. ?Fomos contratados para a campanha do governador rumo à presidência?, explicou o relações públicas do grupo, Eduardo Baiano. ?É equivocado o Garotinho querer se utilizar desse ato. E acho que ele não vai conseguir?, afirmou o ex-deputado federal Lindberg Farias (PSTU). Ele comparou a tentativa o governador à atitude do ex-prefeito de São Paulo, Paulo Maluf, na campanha pelo Fora Collor. ?Sempre aparece um oportunista?, definiu.A dirigente estadual do Movimento dos Sem-Terra (MST), Marina Santos, evitou posicionar-se. ?Nós estamos aqui pelo movimento da ética na política. Não temos nada a ver com os interesses pessoais do Garotinho?.O deputado federal José Dirceu ? único petista com representação nacional a participar do ato ? colocou panos quentes. ?A hora é de unir forças?, limitou-se a comentar.O trecho final da passeata parecia mais baile funk. Ali se reuniram os estudantes do programa Vida Nova e Jovens pela Paz. Um MC (mestre de cerimônias) cantava ?Bate na palma da mão, todos contra o apagão?, enquanto os jovens faziam coreografias na Avenida Rio Branco.?Isso aqui é um ato político e não devia ser misturado com funk. É uma imagem péssima?, criticou a aluna do 2.º ano do Instituto de Educação, Danielle Leone, de 16 anos. O morador do morro Cerro Corá, no Cosme Velho, Felipe Dias Santana, também de 16 anos e um dos dançarinos de funk, discordou. ?É isso o que atrai pessoas para a passeata, está muito maneiro?, afirmou.Quando a passeata se aproximava da Cinelândia, uma chuva forte atingiu a cidade. ?Estão vendo? A culpa não é de São Pedro, ele também se manifesta. A culpa é desse governo que sabia da crise de energia e nada fez?, gritou um manifestante pelo carro de som. Foi um dos poucos momentos em que se comentou o risco de apagão.Em seu discurso, Garotinho afirmou que o apagão é ?bendito?, porque serve para mostrar que o governo Fernando Henrique Cardoso é ?incompetente?.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.