Passaporte de brasileiro preso no Líbano foi adulterado

A adulteração do passaporte por um familiar obrigou o médico pediatra brasileiro Mohamad Kassen Omais, de 45 anos, a passar a sexta noite na prisão do Setor de Inteligência das Forças de Segurança Interna do Líbano, no bairro de Baabda, em Beirute. Amanhã, a Justiça do país deverá decidir se liberta Omais ou autoriza que ele seja julgado por um tribunal militar, como suspeito de atuar em grupos terroristas. O Consulado do Brasil na capital libanesa conseguiu hoje comunicar-se com Omais, que está emocionalmente abalado.Na manhã de hoje, o caso mobilizou o ministro das Relações Exteriores brasileiro, Celso Amorim. Em Buenos Aires, onde participa da reunião de ministros da América do Sul e países árabes, Amorim explicou a situação ao ministro da Justiça do Líbano, Charles Rizk, chefe da delegação do país, e pediu providências. Rizk prontificou-se a procurar, imediatamente, as autoridades libanesas.Naquele momento, entretanto, o ministro das Relações Exteriores do Brasil contava com a versão preliminar, segundo a qual o médico pediatra brasileiro teria sido preso porque o nome dele coincidia com o de um terrorista procurado pela polícia no sul do Líbano. Horas depois, o cônsul-geral do Brasil em Beirute, Michael Gepp, constatou uma outra história, que envolve a adulteração do documento oficial libanês de Omais, deixado na casa dos pais dele, no Líbano, em 2001.A fraude no documento teria sido feita por um parente de Omais, que trocou a fotografia dele e usou o passaporte adulterado para freqüentes viagens à Síria - país que dominou o Líbano por 29 anos e que é visto como potencial inimigo e motivador de atentados nos últimos anos. Recentemente, o passaporte foi encontrado pela polícia, parcialmente incinerado. Os dados preservados teriam sido suficientes para identificar Omais como suspeito, assim que passou pela Polícia de Imigração, no Aeroporto de Beirute.CasalGepp relatou que o médico pediatra havia desembarcado na cidade por volta das 13 horas de sábado, acompanhado da mulher, a também médica Gisele do Couto Oliveira. O casal planejava buscar os três filhos menores, que passavam as férias com os avós, e retornar ao Brasil no dia 28. A família vive em Cuiabá. Gisele foi facilmente liberada, mas Omais foi detido, imediatamente.O Consulado do Brasil foi informado apenas na segunda-feira sobre a prisão do médico pediatra. Não pela família, que preferiu antes contratar o advogado libanês Ayad Fares, mas por um amigo comum de Omais e do cônsul do Brasil em Beirute. Ontem, diante da falta de informações sobre o paradeiro do médico, Gepp declarou a autoridades locais que, impedido de prestar auxílio a um brasileiro preso, o caso se converteria em incidente diplomático. Hoje, foi autorizado a visitar Omais. "Omais passou por várias prisões e foi submetido a vários interrogatórios, sem que fôssemos informados", afirmou.

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