Partidos vão pedir dinheiro a FHC

Os presidentes nacionais dos partidos aliados e de oposição querem um encontro com o presidente Fernando Henrique Cardoso, depois do carnaval, para discutir o fundo partidário. Na pauta da reunião, que deve ocorrer no início da próxima semana, está um apelo coletivo para que o Palácio do Planalto reponha os R$ 25 milhões que o próprio Congresso subtraiu do fundo nacional para manutenção e operação dos partidos políticos, quando aprovou o Orçamento da União para este ano. Preocupados com a opinião pública em ano eleitoral e dispostos a reservar recursos para financiar as emendas que garantem obras em suas bases, os deputados e senadores acabaram reduzindo as verbas do fundo em quase 30%. Assim, dos R$ 91,15 milhões divididos entre os partidos com representação no Congresso, no ano passado, o fundo caiu para R$ 66,8 milhões em 2002, com uma agravante: as despesas em ano de eleições se multiplicaram. "Estamos em apuros", resumiu o tesoureiro do PSDB, deputado Sebastião Madeira (MA), dando o alarme para que o presidente nacional do partido, deputado José Aníbal (SP), batesse à porta do gabinete presidencial com um pedido de socorro. Os presidentes nacionais do PT, deputado José Dirceu (SP), e do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), foram os primeiros a procurar Aníbal, propondo uma articulação conjunta para resolver a questão.Veto - A primeira tentativa de negociação para recompor o fundo fracassou. Fernando Henrique acabou vetando pedido de crédito suplementar no valor de R$ 25 milhões. "Mas este veto foi por questões jurídicas, na formulação do pedido, e não por razões financeiras", diz Bornhausen. Ele avalia que, se a objeção foi apenas formal, não haverá por que recusar um novo projeto, sem as imperfeições do anterior. Nas contas do tesoureiro do PSDB, o orçamento dos tucanos encolheu R$ 1,7 milhão. "Tínhamos R$ 7 milhões", diz Sebastião. A contabilidade do PFL aponta prejuízo maior. "O partido perdeu praticamente R$ 4 milhões e o Instituto Tancredo Neves perdeu mais R$ 1 milhão", diz Bornhausen. "O mais prejudicado com este corte foi o PT, e não o PFL e o PSDB, que estão cheios de militantes ricos para emprestar um jatinho aos candidatos", queixa-se o vice-presidente do PT, deputado José Genoíno , estimando perda em torno de R$ 2 milhões. Candidato ao governo de São Paulo, ele levou mais de uma semana para conseguir recursos para alugar um carro. "Com esta maluquice de campanha em janeiro, temos gastos extras que só o partido pode bancar", diz o secretário-executivo do PFL, Saulo Queiroz. As contribuições de campanha, autorizadas por lei, só podem ser efetuadas a partir do registro oficial das candidaturas.

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