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Partidos travam guerra surda por espaços na Esplanada

Aliados se articulam para manter e conquistar novos postos no primeiro escalão

JOÃO DOMINGOS, O Estado de S.Paulo

29 de outubro de 2014 | 02h03

BRASÍLIA - Com a postura da presidente Dilma Rousseff de acabar com "feudos partidários" na Esplanada dos Ministérios no segundo mandato, os partidos que se coligaram ao PT na eleição presidencial deram início a uma guerra surda para manter ou conquistar novos postos no primeiro escalão. Hoje, a equipe conta com 39 ministros.

Os dois principais partidos da coalizão, PT e PMDB, abriram uma disputa pelo Ministério de Minas e Energia. Petistas começaram a defender que o governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), nome certo no núcleo duro do segundo mandato, seja escalado para o posto a fim de resolver duas crises: a da corrupção na Petrobrás, tema que mais incomodou Dilma na campanha; e a da energia, visto que empresas distribuidoras estão com problemas de caixa e o setor sucroalcooleiro enfrenta o fechamento de cerca de 60 usinas.

Nesse caso, ficaria desempregado o peemedebista Edison Lobão, da cota de indicações do senador José Sarney (AP). Hoje, o partido do vice-presidente Michel Temer tem cinco cadeiras na Esplanada. Sem ter concorrido à reeleição no Senado e com a derrota de seu grupo político no Maranhão, Sarney perdeu força para sustentar o afilhado no cargo. Além disso, Lobão é citado como beneficiário de um esquema de propina na Petrobrás pelo seu ex-diretor Paulo Roberto Costa, que fez acordo de delação premiada com a Polícia Federal.

Outros três nomes do PT são apostas para ficar nas atuais funções: Miguel Rossetto (Desenvolvimento Agrário), Ricardo Berzoini (Relações Institucionais) e Aloizio Mercadante (Casa Civil). Aos três, Dilma tem procurado mostrar gratidão pelo trabalho que tiveram durante a campanha.

Outro membro da campanha que tenta uma vaga no ministério é o deputado estadual paulista Edinho Silva, que não disputou a reeleição para atuar como tesoureiro da campanha. O nome dele é cotado para o Ministério do Esporte, que terá protagonismo na realização da Olimpíada de 2016. Desde 2003, o posto é ocupado pelo PC do B.

Cidades. Outra disputa aberta é entre PSD e PP pelo Ministério das Cidades. O ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD e derrotado na disputa pelo Senado, é cotado para o cargo. O atual ministro da Micro e Pequena Empresa, Guilherme Afif Domingos, é tratado pelo partido como cota pessoal, e não da sigla, e deve seguir no posto.

Se Kassab for contemplado, o PSD tiraria Cidades do PP, partido que ocupa a vaga desde 2005 e que teve presença marcante na reeleição de Dilma. O presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), afirmou que por enquanto o que existe é "uma grande especulação".

Ao PMDB, Temer deu indicativos de que conseguirá manter Moreira Franco na Aviação Civil. O vice-presidente trabalha para emplacar o deputado Eliseu Padilha (PMDB-RS) em um ministério. Já o presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), luta para manter Vinícius Lages no Turismo.

Outra movimentação do PMDB é conseguir vaga para o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, derrotado na disputa pelo governo do Rio Grande do Norte. O partido quer voltar à Integração Nacional, que foi herdada por Cid e Ciro Gomes (PROS) após a saída do PSB do governo, em 2013. Os irmãos garantiram a vitória do petista Camilo Santana para o governo do Ceará.

No PR, o senador Antonio Carlos Rodrigues (SP) e o deputado Milton Monti (SP) são os nomes que o partido deve levar à presidente para Transportes. Como Dilma gosta do atual ocupante da pasta, Paulo Sérgio Passos, o PR aceitaria a Agricultura. Nesse caso, o desalojado também seria o PMDB, que vê a pasta como plano B para Henrique Alves. Com 19 deputados eleitos, o PDT espera manter o Ministério do Trabalho, mas diz estar disposto a mudar de posição na nova composição do governo Dilma.

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