Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Partidos terão de oferecer algo a mais para manter parlamentares; leia análise

Decisão que permitiu Tabata Amaral deixar o PDT foi saudada por alguns como golpe na ‘velha política’ e lamentada por outros, que cita enfraquecimento das siglas; nem tanto ao céu nem tanto à terra

Fernando Guarnieri, O Estado de S.Paulo

27 de maio de 2021 | 05h00

O presidente Bolsonaro, ao conversar com apoiadores, se referiu às dificuldades de achar um partido para se filiar dizendo que “ninguém quer entregar o osso para a gente, querem entregar só o casco do boi, nenhum ossinho com tutano querem dar para a gente”. Bolsonaro saiu do PSL após perder a disputa por mais espaço com o presidente da sigla e, depois de fracassar na tentativa de criar o próprio partido, procura algum sobre o qual tenha controle. Ainda não conseguiu.

Trago esse exemplo para ilustrar dois pontos: partidos têm donos e seu poder é tão forte que nem a presidência da República permite resistir a ele. Não poderíamos esperar nada diferente com relação a Tabata Amaral, deputada federal de primeiro mandato que, apesar dos mais de 260 mil votos, não atingiu o quociente eleitoral. Na sua disputa com a liderança do PDT, seu destino seria ficar com os cascos do boi e, por conta da fidelidade partidária, ela deveria aceitar este destino até o final de seu mandato sob o risco de perdê-lo.

Eis que uma decisão do TSE permitiu a Tabata Amaral deixar o PDT. Essa decisão foi saudada por alguns como um golpe na “velha política” e lamentada por outros que se preocupam com os efeitos para a democracia do enfraquecimento dos partidos. Nem tanto ao céu nem tanto à terra. As lideranças partidárias ainda contam com inúmeros mecanismos que permitem controlar o comportamento de seus parlamentares, só que agora elas também terão que dar algum ossinho com tutano para eles.

*Cientista político e professor da UERJ

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