Partidos mantêm influência na estatal

PT, PMDB e PP deram aval a 7 diretores; ex-diretor diz que sempre viu essa prática

FÁBIO FABRINI, ANDREZA MATAIS / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

11 de outubro de 2014 | 02h02

O consórcio de partidos acusado pelo ex-diretor Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Youssef de desviar recursos da Petrobrás indicou também a atual cúpula da estatal, nomeada nos governos de Dilma Rousseff e de seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva. Sete diretores executivos da companhia petrolífera, além dos principais chefes das empresas subsidiárias, ascenderam aos cargos com aval de PT, PMDB e PP.

Em depoimento à Justiça Federal, após firmar acordo de delação premiada para obter eventual redução de pena, Costa afirmou que os três partidos recebiam até 3% de "comissão" dos contratos firmados pelas diretorias sob seu controle com empreiteiras. Segundo ele, todas as indicações para os cargos são, historicamente, partidárias.

"Na Petrobrás, as diretorias e a presidência foram sempre por indicação política. Ninguém chega a general se não for indicado", declarou, acrescentando que a lógica de loteamento se repetiu nos governos de José Sarney, Fernando Collor, Itamar Franco, Fernando Henrique e Lula.

No governo da presidente Dilma, o comando da estatal foi reformulado pelo Conselho de Administração. Foram nomeados diretores ungidos pelos líderes das três legendas. A área de Abastecimento, até então chefiada por Costa, passou a ser comandada pelo então gerente de Refino, José Carlos Cosenza, após um acordo costurado entre PT, PMDB e PP. No setor, ele era braço direito de Costa, que renunciou ao cargo. As outras seis diretorias executivas foram preenchidas por indicados exclusivos do PT, a começar pela própria presidente, Graça Foster - que é militante do partido e foi escolhida pessoalmente por Dilma. Ela acumula a Diretoria Internacional.

Graça emplacou nomes de sua confiança em outras três áreas - José Alcides Santoro Martins (Gás e Energia), José Miranda Formigli Filho (Exploração e Produção) e José Antonio de Figueiredo (Engenharia, Tecnologia e Materiais) -, mas eles tiveram de ser afiançados pelas bancadas do PT no Congresso.

Ex-presidente do PT entre 2010 e 2011 José Eduardo Dutra assumiu a Diretoria Corporativa e de Serviços com a saída de Renato Duque, apontado por Costa como beneficiário do esquema de corrupção. Já Almir Guilherme Barbassa foi mantido na Diretoria Financeira e de Relações com Investidores por influência do ex-presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli, do PT, que deixava o cargo.

Em 2010, Barbassa fez acordo com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para pagar R$ 1 milhão e encerrar processo que o questionava por não divulgar informações que afetam o valor das ações da empresa. Ele é um dos executivos com os bens bloqueados pelo Tribunal de Contas da União (TCU) por supostas irregularidades na compra da Refinaria de Pasadena, no Texas (EUA).

Collor. Principal subsidiária da Petrobrás, a BR Distribuidora está sob o comando do PMDB e do PTB. O presidente, José Lima de Andrade Neto, chegou ao cargo com as bênçãos do ministro Edison Lobão (PMDB-MA) e do senador Fernando Collor (PTB-AL). Antes, Neto ocupava a Secretaria de Petróleo, Gás Natural e Combustíveis do ministério. Da cota de Collor, foram nomeados ainda Luís Alves de Lima Filho (Postos de Serviço) e Vilson Reichemback da Silva (Operações de Logística). Partiu do PT na Câmara a indicação de Andurte de Barros Duarte Filho (Mercado Consumidor).

A Transpetro está sob influência do PMDB do presidente do Senado, Renan Calheiros (AL). O presidente, Sérgio Machado, é ex-senador pelo partido, que também indicou os ocupantes das demais diretorias da estatal.

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