Partidos formam blocos visando cargos de direção

A uma semana da eleição para a presidência da Câmara, os partidos intensificaram as articulações para formar blocos, o que pode afetar toda a composição da Mesa Diretora. A distribuição de cargos é feita conforme o tamanho de cada um na Casa e o bloco parlamentar, de dois ou mais partidos, conta como se fosse uma bancada única para efeito dessa divisão. O PPS, que elegeu 22 deputados e não tem direito a vaga na Mesa, discute se juntar ao PSDB (66 eleitos). O bloco resultaria na segunda maior força da Câmara, com 88 deputados, e desbancaria o PT, que tem 83. Como segunda maior bancada, teria direito a dois cargos na Mesa. "Estamos discutindo a possibilidade de bloco. Há uma série de conversas, inclusive com o PSDB", afirmou o líder do PPS, Fernando Coruja (SC), insistindo em que até agora as discussões são informais. Ele também falou com siglas menores, como PMN (3 eleitos), PHS (2) e PTC (3). O líder da bancada tucana, Antonio Carlos Pannunzio (SP), disse que ainda não há nada de concreto. "O PT elegeu uma bancada muito boa e não tem nenhuma preocupação com essa questão de bloco", disse o eleito Cândido Vacarezza (PT-SP), um dos coordenadores da campanha de Arlindo Chinaglia (PT-SP) à presidência da Câmara. "Primeiro precisamos ver se vai ter esse bloco. O PSDB está tendo dificuldade para se entender até internamente". Os líderes procuram fazer as articulações de forma reservada, para dificultar a reação de partidos que possam ser prejudicados. A data para formalizar os blocos ainda não foi fixada, mas não pode passar das 15 horas do dia 31, quando os líderes e o presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PC do B-SP), se reunirão para a escolha dos cargos. O líder do PP, Mário Negromonte (BA), já tem autorização assinada pelos deputados da bancada para formar um bloco se houver ameaça de perder espaço na Mesa. O documento deixa em aberto os partidos que podem integrar esse bloco. O PR (formado com a fusão do PL e do Prona) pode se unir ao PSC. PSB e PC do B já anunciaram um bloco, mas buscam mais parceiros. A união lhes dá uma vaga de titular, a que nenhum dos dois teria direito sozinho. Se a articulação com o PMN der resultado, a situação será melhor ainda, com a possibilidade de ocupar a terceira secretaria. O PDT, que elegeu 24 deputados, tem sido procurado, mas não deve se unir a nenhum partido. "A formação de bloco não dá status. Pode dar cargo e uma presença maior na ocupação de cargos, mas acho que pode trazer um risco para a identidade do partido", afirmou o líder do PDT, Miro Teixeira (RJ). Ele classificou como negativa a experiência passada, de bloco com o PPS.

Agencia Estado,

26 Janeiro 2007 | 07h54

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