Dida Sampaio|Estadão
Dida Sampaio|Estadão

Partidos fazem mutirão na Câmara para criar CPI da Pandemia

Se 171 assinaturas forem coletadas, Maia pode autorizar comissão na segunda-feira

Camila Turtelli e Vinícius Valfré, O Estado de S.Paulo

29 de janeiro de 2021 | 16h30

BRASÍLIA - Às vésperas das eleições no Congresso, parlamentares da oposição tentam conseguir apoio suficiente para tirar do papel a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da pandemia até o próximo domingo. O mutirão é para que o atual presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), possa autorizar a CPI na próxima segunda-feira, 1.º,  dia da disputa que vai escolher a nova cúpula do Congresso, como último ato de sua gestão.

Com o agravamento de crises, uma CPI sempre é vista por políticos como o primeiro passo para impulsionar processos de impeachment e é justamente essa a ideia de aliados de Maia. A corrida para abrir uma comissão a fim de investigar as falhas do governo na condução da pandemia do coronavírus foi reforçada diante das possibilidades reduzidas de andamento das investigações, caso os candidatos governistas sejam eleitos.

Como mostrou o Estadão, Arthur Lira (Progressistas-AL) e Rodrigo Pacheco (DEM-MG), nomes apoiados pelo presidente Jair Bolsonaro para comandar a Câmara e o Senado, respectivamente, têm prometido trabalhar para barrar apurações que atinjam o Palácio do Planalto.

A abertura de uma CPI depende da assinatura de 171 deputados e de um despacho do presidente da Câmara reconhecendo o cumprimento de exigências regimentais. A oposição iniciou a coleta de apoios na tarde de quarta-feira, 28. Os partidos de esquerda reúnem 129 deputados. Até quinta-feira, 28, a contabilidade indicava aproximadamente 100 assinaturas, mas líderes das legendas apostavam na adesão de mais parlamentares.

“Se conseguirmos as 171 assinaturas até domingo, a CPI será deferida na segunda”, disse o líder da Minoria, José Guimarães (PT-CE). “Nossa expectativa é essa, uma vez que a crise é grave”, afirmou a deputada Jandira Feghali (PC do B-RJ).

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Embora tenha atraído a oposição com discurso crítico ao governo e com a promessa de analisar pedidos de impeachment contra Bolsonaro, o candidato Baleia Rossi (MDB-SP), lançado por Maia, enfrenta resistências no próprio partido para priorizar a CPI. O presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, Alceu Moreira (MDB-RS), por exemplo, é contra a instalação imediata do colegiado.

"É preciso que a CPI tenha fato determinado, seja debatida na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), tenha período para debate, para só depois chegar no presidente, para decidir se instala ou não", disse Moreira, que é aliado de Baleia e presidente do MDB gaúcho.

Para o vice-líder do governo na Câmara, Evair Vieira (Progressistas-ES), não é possível falar em impeachment ou abertura de investigação no momento em que o país precisa se desvencilhar da crise. Na avaliação de Vieira, as ameaças de aliados de Maia e de Baleia soam como vingança.

"Seria muito triste saber que a Câmara teve como presidente alguém com esse sentimento de vingança, de raiva. O Rodrigo em hipótese alguma precisava dessas ameaças. Ficar nervosinho agora parece que está perdendo de 7 a 1 e quer trocar o massagista", disse o vice-líder do governo.

Com candidatura avulsa à presidência da Câmara, o deputado Alexandre Frota (PSDB-SP) defendeu a abertura da CPI, mas disse não haver tempo suficiente para a instalação dos trabalhos. "Demora um certo tempo para poder concretizar isso", afirmou. “Não tem acordo, mas ainda estamos trabalhando para isso”, emendou o líder do PSB, Alessandro Molon (RJ).

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