Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

Partidos divergem ao convocar para atos; esquerda defende outras datas

Veja como as principais siglas que não fazem parte da base bolsonarista se posicionaram

Redação, O Estado de S.Paulo

12 de setembro de 2021 | 16h12
Atualizado 13 de setembro de 2021 | 09h45

Partidos políticos que não fazem parte da base de apoio bolsonarista divergiram quanto à convocação de apoiadores para os atos deste domingo, 12. As manifestações foram organizadas em ao menos 15 capitais brasileiras pelos grupos de centro-direita Movimento Brasil Livre (MBL), Vem Pra Rua (VPR) e Livres. Enquanto PT e PSOL frisaram não ter participação nos atos, o PDT não só declarou apoio, como foi um dos mais ativos nas redes sociais na convocação de manifestantes.

Em nota divulgada no final da tarde deste sábado, 11, o PT celebrou a realização de protestos contra o governo Bolsonaro, mas afirmou estar alinhado a “outras forças políticas e organizações sociais e populares”, que definiram como datas de referência para a realização de manifestações nacionais os dias 2 de outubro e 15 de novembro.

“Saudamos todas as manifestações Fora Bolsonaro, esclarecendo que o PT não participou da organização nem da convocação de ato que já estava marcado para este domingo, 12”, diz a nota. “Reafirmamos que o PT luta contra Bolsonaro, seu governo e suas políticas neoliberais, vinculando sempre a luta pelo impeachment a luta pelos direitos do povo brasileiro.”

Neste domingo, 12, o partido não fez menção direta nas redes sociais às manifestações ocorridas no País. Pelo contrário, fez publicações exaltando a figura do ex-presidente Lula, que foi uma das pautas centrais nas discordâncias do escopo dos atos, convocados originalmente sob o mote “nem Lula, nem Bolsonaro”.

O PCdoB não divulgou nota ou convocação, mas publicou neste domingo uma foto no perfil do partido no Twitter com manifestantes segurando cartazes contra Bolsonaro e reivindicando recursos para a Educação. Um pouco mais tarde, o partido veiculou uma imagem com o slogan “Fora Bolsonaro”. Deputada federal pelo partido, Jandira Feghali (PCdoB-RJ) se manifestou no Twitter. “Bom Fora Bolsonaro para TODOS. Na rua, na chuva, na fazenda ou numa casinha de sapé”, escreveu.

Em nota publicada na sexta, 10, o PSOL informou que “o partido não é organizador, não convoca e nem participará da manifestação do dia 12 de setembro”. Neste domingo, o partido publicou nas redes sociais uma imagem com a silhueta do presidente Jair Bolsonaro afirmando que “quem ameaça a democracia não merece respeito nem desculpas”. Destacadas, as palavras de ordem: “Impeachment já!”.

A deputada federal Luiza Erundina (PSOL-SP) escreveu que “é cada vez mais difícil viver no Brasil de Bolsonaro”, publicando uma imagem com indicadores de inflação e renda média. Já o deputado federal Ivan Valente (PSOL-RJ) apontou que é preciso derrotar Bolsonaro e também o bolsonarismo. “Esperar 2022 pode ser tarde, dizem aqueles que SÓ AGORA estão indo para as ruas”, completou.

Na noite de sábado, 11, o PSB divulgou que seu presidente, Carlos Siqueira, informou que o partido apoiaria todos os atos pelo impeachment de Jair Bolsonaro. “Além da manifestação do dia 12, o partido sugere outra do campo democrático para 19 de setembro, a da ‘Primavera Democrática, Ditadura Nunca Mais’. Não compactuamos com movimentos autoritários”, escreveu Siqueira nas redes sociais na sexta-feira.

Dando destaque para a presença do presidenciável Ciro Gomes, esperado na Avenida Paulista, o PDT foi a única sigla tradicional alinhada à esquerda ativa na convocação de manifestantes para os atos. O PDT fez publicações nesta sexta exaltando a adesão e, pouco mais cedo, também nas redes sociais, escreveu que “chegou o momento de todos irem às ruas para combater as insanidades do governo Bolsonaro que custam caro para o povo”.

O Cidadania se posicionou a favor das manifestações deste domingo. Líder do partido na Câmara, o deputado federal Alex Manente (Cidadania-SP) gravou um vídeo convocando apoiadores para os atos. A publicação foi compartilhada pelo presidente da sigla, Roberto Freire, e pela página oficial do Cidadania no Twitter.

Sem fazer alusão direta às manifestações, o PSDB fez postagens neste domingo buscando se distanciar das imagens tanto de Bolsonaro, quanto de Lula. Em uma das publicações, o perfil exalta uma fala do presidente do partido, Bruno Araújo: “O PSDB faz hoje oposição ao governo Bolsonaro e vai se manter longe do petismo”, disse.

Após fazer lembretes ao longo da semana, o Novo publicou no perfil do Instagram, por volta de 11h deste domingo, uma nova convocação aos atos. “É HOJE! O Brasil conta com você! O Novo é oposição ao governo federal, a favor do impeachment e apoia as manifestações contra o presidente Bolsonaro”, apontou em legenda. Candidato derrotado do partido à Presidência em 2018, João Amoêdo participou da mobilização no Rio de Janeiro.

Legendas que oscilam no apoio ao presidente Bolsonaro, Podemos, Democratas, MDB e PSD não fizeram menções aos atos neste domingo. Nas redes sociais do PSL, também não houve postagens direcionadas às manifestações. Deputada federal pelo partido, Carla Zambelli (PSL-SP) utilizou o Twitter para ironizar a baixa adesão às manifestações. Partidos da base aliada, Progressistas e PL, não se manifestaram nas redes sociais.

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