Partidos disputam filiação no interior de SP

A infidelidade partidária tem sido a marca da guerra travada entre as legendas, no interior paulista, em busca de prefeitos que permitam ampliar suas bases e fortalecê-los para a eleição de 2002. A mudança de partido parece não incomodar os administradores, preocupados em dar respostas aos problemas de seus eleitores. "Antes de ser fiel a partido, tenho de ser fiel a quem me ajuda", afirma o prefeito de Caiabu, Jurandir Pinheiro, que trocou o PFL pelo PTB, aliados do governador tucano Geraldo Alckmin."Os prefeitos nos procuram porque o PTB é a grande alternativa política", acredita o vice-presidente nacional, deputado Campos Machado. Mas as juras de fidelidade do prefeito são dirigidas ao deputado estadual Roque Barbieri (PTB) e ao governador. Pinheiro reclama "nunca" ter recebido apoio do PFL.O prefeito enumera as conquistas obtidas com a ajuda do amigo Roquinho: a construção de 106 casas populares, além de garantias da liberação de R$ 200 mil para asfaltar ruas e a promessa de receber uma ambulância. "Minha resposta para o governador virá no ano que vem", promete."O brasileiro é um adúltero pleno", conforma-se o presidente regional do PFL, Cláudio Lembo, ao falar da infidelidade do ex-correligionário. O partido perdeu nove prefeituras para o PSDB e outras sete para o PTB. O dirigente garante ter conquistado nove, mas não revela quais são os municípios, que permitem ao PFL ter 83 prefeituras.Lembo afirma que há um "diálogo intenso" com o governo para o PFL apoiar a reeleição de Alckmin. Sobre os rumores de que a sigla busca o eleitor malufista, Lembo ameniza: "Somos partidos conservadores e, se o eleitor dele vier, será naturalmente."A situação do PPB de Paulo Maluf não é boa. Candidato ao governo, Maluf defende-se das denúncias de que ele e seus familiares teriam contas bancárias no paraíso fiscal da Ilha de Jersey. Dos 34 prefeitos do PPB, 6 foram para o PSDB e 3 para o PTB."Não faríamos distribuição de verbas para trazer gente para o PPB", diz Jesse Ribeiro, presidente regional, esquecendo-se do loteamento de administrações regionais feito por Maluf na Prefeitura. "Mas na eleição, até prefeito do PT vem com a gente.""Sabe como é, no segundo turno o Maluf emburrica, todo mundo vota contra ele", avalia o prefeito de Itapuí, Sílvio Prado, que trocou o PPB pelo PSDB. "É o partido com que estou afinado." A afinação de Prado tem nomes: o deputado Salvador Zimbaldi (PSDB-SP) e o governador, que "ajudaram" o município a ter uma ambulância com UTI e R$ 70 mil do governo estadual para reforma da creche.O PMDB, presidido pelo ex-governador Orestes Quércia, não calcula as baixas provocadas pelos adversários nas 111 prefeituras que havia conquistado. O PSDB contabiliza a filiação de dez prefeitos e o PTB, cinco. "Acredito que seja provocado pela caneta do governo, que é de outro partido", provoca o vice-presidente regional, Airton Sandoval. "É uma falha da nossa democracia, que não pune a troca de partidos."Com a mesma agressividade que trouxe para o PSDB 41 novos prefeitos para somar aos 117 já filiados, o deputado Édson Aparecido, presidente regional, responde: "Quando governadores, Maluf e Quércia assinavam convênios com os prefeitos com uma mão e com a outra a ficha de filiação." Lembrado que os prefeitos admitem ter recebido benefícios para os municípios, o tucano ameniza: "Nada significativo."

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