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Partidos de extrema-esquerda na Europa pedem afastamento de Brasil de acordo com Mercosul

Grupos de extrema-esquerda na Europa e que nos últimos anos tem ganhado popularidade promete ações no Parlamento Europeu para pressionar contra qualquer tipo de acordo com Brasília

Jamil Chade, correspondente, O Estado de S. Paulo

31 de agosto de 2016 | 17h21

O espanhol Podemos, o grego Syriza e o alemão Die Linke denunciam a "consumação" do golpe no Brasil.  O grupo de partidos de extrema-esquerda na Europa e que nos últimos anos tem ganhado popularidade promete ações no Parlamento Europeu para pressionar contra qualquer tipo de acordo com Brasília e reforçam o apelo para que Bruxelas afaste o Brasil das negociações para a criação de um acordo comercial com o Mercosul. 

"Condenamos fortemente o golpe de estado no Brasil contra uma presidente eleita ", diz um comunicado do grupo, que ainda inclui o Bloco de Esquerda de Portugal e Sinn Fein, da Irlanda, entre outros. 

Se nos últimos anos esses partidos ganharam eleições denunciando políticas de austeridade em seus países, agora alertam que o governo de Michel Temer vai adotar políticas econômicas que " resultarão revolta social ". 

Para os partidos, o afastamento foi comandado por " oligarcas e imperialismo com o envolvimento de muitos na comunidade internacional, mascarados por uma decisão judicial sem qualquer base legal ". 

De acordo com os partidos, o golpe foi orquestrado de " tal maneira que qualquer líder internacional teria sido afastado ". "A remoção de Dilma Rousseff marca um dos capítulos mais negros da história do Brasil e um golpe contra a democracia do país ", insistem. 

Os partidos apontam até mesmo para o envolvimento americano. " É evidente que muitos opositores de Dilma - apoiados pelos EUA - nunca aceitaram sua presidência e tentaram a afastar de qualquer forma ", disseram. Para o grupo, a campanha começou já em 2002, quando Luiz Inácio Lula da Silva foi eleito. 

" O que ocorre no Brasil é apenas o último exemplo da nova estratégia das forças imperialistas de afastar governos progressistas eleitos pelo povo latino-americano ", alertaram os deputados, relembrando inclusive do paraguaio Fernando Lugo em 2012. 

Para o grupo, o governo de Michel Temer " não perdeu tempo " em reverter que Lula e Dilma conseguiram em planos sociais. " Ele realinhou a política externa com a agenda imperialista ", apontaram. Sobre a política econômica, o alerta é de que ela 

Os deputados ainda alertam que vão continuar a atuar contra o governo Temer. " Oferecemos toda nossa solidariedade ", disseram. 

Reconhecimento - Num comunicado separado, o partido Podemos anunciou que pede ao governo espanhol a " não reconhecer o governo brasileiro ", considerado pelo grupo como " ilegítimo ".  " Exortamos a nosso governo que não se esqueça do compromisso com a democracia que nos guia na política externa ", disse. 

O partido Podemos também fez eco à solicitação dos partidos europeus. " Reiteramos nossa petição à alta representante (de Política Externa), Federica Mogherini, pela qual solicitávamos que a UE mantivesse às margens o Brasil nas negociações que mantem com o Mercosul ", indicou o grupo político. 

O grupo insiste que mandatos políticos "apenas se ganham nas urnas " e denuncia o Congresso nacional por ter 60% de seus integrantes com casos na Justiça. 

 

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