Partidos da base desistem de apoiar voto em lista fechada

Reação negativa do PSB, PR, PP, PTB, levou o PMDB e o PT a abandonar questão da lista para próximas eleições

Denise Madueño, de O Estado de S. Paulo,

20 de maio de 2009 | 19h33

Em nome de um projeto maior de eleger a sucessora do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os maiores partidos da base recuaram e desistiram de aprovar a eleição em votação por meio de lista partidária fechada, na qual os eleitores votam no partido e não no candidato diretamente, e caminham para enterrar a proposta de realizar uma reforma política neste ano. A reação negativa do PSB, PR, PP, PTB, levou o PMDB e o PT a abandonar a questão da lista fechada para as próximas eleições e a evitar qualquer tema que sirva para desagregar a base, o que poderia provocar consequências negativas na construção de alianças eleitorais no futuro.

 

A avaliação foi feita em reunião na noite de terça-feira passada entre os líderes da base, o ministro de Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, e o líder do governo na Câmara, Henrique Fontana (PT-RS), na casa do vice-líder do governo Ricardo Barros (PP-PR). "Não podemos fazer algo que obrigue partidos da base a entrar em campos opostos", resumiu um dos participantes da reunião.

 

O grupo considerou que há uma movimentação política grande no momento, com a pré-candidata Dilma Rousseff, ministra da Casa Civil, em tratamento de um câncer e que seria inteligente preservar a base para impedir, entre outros resultados, o assédio de outros candidatos aos partidos da base. Outro efeito colateral da insistência em aprovar a lista fechada nas eleições seria a obstrução de votações de interesse do governo na Câmara. O líder do PSB, deputado Rodrigo Rollemberg (DF), ameaçou dificultar os trabalhos e anunciou que o partido fecharia questão contra a lista fechada.

 

"O ideal não é fazer alteração para agora, mas para 2014. Quero viabilizar a reforma política", considerou o líder do PT, deputado Cândido Vaccarezza (SP). O petista quer transformar a reunião de líderes marcada para hoje pelo presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), para debater como será feita a reforma política em apenas uma discussão sobre a pauta de votação para a próxima semana. "Até a gente criar melhor consenso na Casa", justificou Vaccarezza. O temor é que as divergências acabem enterrando de vez a possibilidade de realizar qualquer tipo de reforma.

 

O PT já tem uma alternativa no caso de não ser possível aprovar a lista fechada e o financiamento público exclusivo de campanha, dois pontos fundamentais para o partido na reforma política. Será apresentada a proposta instituindo um Congresso revisor, eleito em 2010, para, durante o ano seguinte, tratar de temas específicos da reforma política. A proposta de emenda constitucional, elaborada pelo deputado José Genoino (PT-SP), já tem as assinaturas necessárias para ser protocolada na Câmara.

 

Nos bastidores, líderes partidários criticam a forma como Temer conduziu a discussão da reforma, criando um grupo de trabalho, coordenado pelo deputado Ibsen Pinheiro (PMDB-RS), para apresentar um projeto. Segundo esse entendimento, a iniciativa foi açodada, o grupo não articulou o projeto e o resultado foi uma movimentação forte dos deputados contrários à lista.

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