Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Partidos articularam comissões da Câmara de olho nas eleições de 2020

Apesar de deputados negarem, projeção na presidência das comissões pode ajudar na disputa para prefeituras do ano que vem

Camila Turtelli e Mariana Haubert, O Estado de S.Paulo

15 de março de 2019 | 18h40

BRASÍLIA - A articulação para a definição do comando das comissões permanentes da Câmara levou em consideração questões externas ao Congresso. Já de olho nas eleições municipais em 2020 e na disputa pelo comando da Casa em 2021, os eleitos para as presidências dos colegiados vislumbram ganhar holofotes que possam cacifá-los no futuro.

É o caso do novato Léo Motta (PSL-MG), escolhido para presidir a comissão de Fiscalização Financeira e Controle. Ele quer ganhar projeção para conquistar a prefeitura de Contagem, terceira cidade mais populosa de Minas Gerais. Segundo interlocutores, a gestão municipal é uma aspiração do parlamentar.

O deputado Pedro Cunha Lima (PSDB-PB), escolhido para presidir a Comissão de Educação, é um dos cotados para concorrer à prefeitura de Campina Grande (PB). Cunha Lima diz que ainda é muito cedo para decidir se irá disputar a prefeitura de Campina Grande, mas diz que seria uma honra. Ele nega que sua pretensão política tenha pesado na escolha do partido na definição de seu nome para presidir o colegiado. "Mesmo porque, infelizmente, educação não dá projeção política", diz.

Líder da bancada da bala e eleito nesta semana presidente da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado, o deputado Capitão Augusto (PR-SP) não esconde sua pretensão. Ele quer concorrer à presidência da Câmara e pode usar a projeção para angariar votos entre os parlamentares até a saída de Rodrigo Maia (DEM-RJ), embora negue que vá usar isso de forma intencional. "Não tenho pretensão nenhuma de aproveitar esse protagonismo que vai ter a segurança pública nesse mandato para alçar voos e ser candidato, o negócio é aprovar projetos", diz.

A definição do principal colegiado da Casa passou por uma questão interna do PSL. Por ser a maior sigla do principal bloco partidário, coube à legenda do presidente Jair Bolsonaro assumir a Comissão de Constituição e Justiça. A definição do presidente, porém, foi alvo de uma disputa que só foi resolvida com a formalização de um acordo.

Hoje deputado estadual pelo Paraná, o delegado Fernando Francischini foi um dos responsáveis por costuras que levaram novos quadros para o PSL, incluindo o presidente Jair Bolsonaro. Em retribuição, a legenda aceitou colocar o nome de seu filho, Felipe Francischini, na disputa interna. Coube ao novato convencer seus pares. Ele começou a se movimentar ainda em novembro, quando se aproximou das lideranças do partido. Chegou a ter o cargo ameaçado pela deputada Bia Kicis (PSL-DF), que se apresentou para a disputa como escolhida de Bolsonaro. O espírito de corpo, porém, prevaleceu e Felipe acabou sendo o nome indicado pelo partido para a CCJ. Parlamentares da legenda também afirmam que Felipe pode ser uma aposta do partido para disputar a presidência da Câmara em 2021.

Mapa. A base aliada do governo conseguiu ficar com 8 das 25 comissões temáticas da Casa, entre elas, algumas das mais relevantes, como a CCJ. A oposição vai presidir sete colegiados e os partidos considerados de centro ficaram com 10 comissões. 

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