Taba Benedicto/Estadão
Taba Benedicto/Estadão

Nove partidos vão financiar campanha pelo impeachment

Siglas de oposição ao governo Bolsonaro, mantidas principalmente com recursos públicos do Fundo Partidário, vão criar peças de propaganda para atos conjuntos dias 2/10 e 15/11

Bruno Ribeiro, O Estado de S. Paulo

15 de setembro de 2021 | 15h04
Atualizado 15 de setembro de 2021 | 18h03

Nove partidos de oposição vão financiar a criação de publicações e materiais para difundir a campanha pelo impeachment do presidente Jair Bolsonaro, convocando a população para protestos de rua no dia 2 de outubro e 15 de novembro. As siglas devem investir em ações de propaganda e marketing e apresentar a bandeira do Brasil e as cores verde e amarelo para identificar o movimento.

A decisão sobre essa forma de agir foi tomada em conjunto pelos presidentes do PDT (Carlos Lupi), Solidariedade (Paulinho da Força), PSB (Carlos Siqueira), PT (Gleisi Hoffmann), PV (José Luiz Penna), PSOL (Juliano Medeiros), PCdoB (Luciana Santos), Rede (Wesley Diógenes) e Cidadania (Roberto Freire).

O grupo participou de uma reunião na Câmara no fim da manhã desta quarta-feira (15), que contou ainda com a presença das lideranças das bancadas de oposição (Alessandro Molon, do PSB do Rio) e da minoria (Marcelo Freixo, do mesmo partido e Estado).

A proposta do movimento é organizar um grande ato contra o presidente na Avenida Paulista às 15 horas do dia 2 com protestos nos Estados na parte da manhã. Os dirigentes pretendem convocar governadores e prefeitos de suas legendas para que estejam nas ruas nos protestos e mobilizem seus aliados. 

Partidos buscam união

Os dirigentes concordaram ainda em buscar uma aproximação formal com as organizações de direita que organizaram os protestos na Avenida Paulista do último domingo, o Movimento Brasil Livre (MBL) e o Vem Pra Rua, além dos partidos mais próximos desses grupos, como o Novo, que participou dos atos de domingo em várias capitais.

“Estamos conversando com vários partidos mais de centro, PSB, o próprio MDB, o DEM, estamos conversando também com PSDB. Cada um tem seu tempo, seu processo de consulta, mas estamos conversando” disse a jornalistas o presidente do PDT, Carlos Lupi, após a reunião.

O Novo, entretanto, já sinaliza que não ingressará no movimento. "Fomos convidados, mas entendemos que se trata de um movimento que congrega basicamente partidos de esquerda, onde o Novo estaria totalmente deslocado e teria pouco a contribuir. Depois do episódio da manifestação do dia 12, da qual participamos e onde o próprio PT fez questão de atuar pra esvaziar a manifestação, fica difícil acreditar em qualquer ato unificado no curto prazo", disse ao Estadão o presidente do partido, Eduardo Ribeiro.

As fundações dos partidos foram escaladas para produzir documentos que ajudem a embasar a campanha, e cada sigla deverá indicar representantes para compor uma equipe de comunicação unificada. "Queremos esclarecer a sociedade o porquê desses atos, a carestia, tudo isso que está acontecendo”, disse Lupi. “(Decidimos) organizar um time para cuidar de publicidade disso, de propaganda disso, de marca, para colocar a bandeira do Brasil no seu lugar, o verde e amarelo, que a gente acha que está sendo aproveitado indevidamente.”

As fundações partidárias são instituições que, segundo a legislação eleitoral, todos os partidos políticos devem ter. Elas são financiadas especialmente por recursos do Fundo Partidário (dinheiro público usado para manter as legendas). Por lei, ao menos 20% dos recursos do fundo têm de ir para as fundações, mas muitos dos partidos destinam mais do que isso.

Só no ano passado, as fundações receberam cerca de R$ 188 milhões em financiamento público, e especialistas criticam a falta de transparência sobre a execução dessas despesas.

“Não vejo impedimento algum para a utilização de recursos do fundo partidário em campanha pelo impeachment, uma vez que a lei estabelece que o fundo pode bancar propagandas com finalidade política, o que é o caso do impedimento do presidente”, disse Renato Galuppo, advogado especialista em direito eleitoral.

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