Partido traça plano para ministra em SP

Depois de adiar encontros com militância, PT prepara ato dia 8

Clarissa Oliveira e Julia Duailibi, O Estadao de S.Paulo

22 de julho de 2009 | 00h00

O PT paulista já começa a preencher espaços da agenda da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, nos dias em que ela terá de permanecer em São Paulo para se submeter a sessões de radioterapia. Em função da nova etapa de tratamento do câncer detectado em seu sistema linfático, Dilma terá de passará boa parte das próximas semanas no maior colégio eleitoral do País, governado pelo tucano José Serra, também cotado para disputar o Palácio do Planalto no ano que vem.Aproveitando o calendário, o PT marcou para o dia 8 de agosto ato no qual promete reunir cerca de 2 mil pessoas. A ideia é turbinar a pré-campanha da ministra na militância petista, principalmente entre os filiados da Grande São Paulo. O encontro, que inicialmente está agendado para ocorrer na quadra do Sindicato dos Bancários, reunirá parlamentares, dirigentes partidários, sindicalistas e representantes de movimentos sociais. Também marcará o encerramento das caravanas que o PT realiza desde maio, com o objetivo de mobilizar a militância paulista, tornar o nome de Dilma mais conhecido e fazer um contraponto ao domínio tucano no Estado - desde 1995 o PSDB governa São Paulo, maior colégio eleitoral do País e cenário de vitória para os tucanos em 2006, última corrida presidencial. Para o PT é possível reverter o favoritismo dos tucanos em território paulista. Eles citam as pesquisas de intenção de voto mais recentes como exemplo. Em setembro de 2008, pesquisa CNT/Sensus, mostrava Serra vencendo Dilma - 38,1% contra 8,4%. No levantamento de maio deste ano, o tucano continuou na frente, com 38,8%. Mas Dilma avançou para 22,3%. Dilma terá de se submeter a 15 sessões de radioterapia, cinco a cada semana, como parte da nova etapa de tratamento do câncer. Na semana passada, ela passou por exames e, segundo pessoas próximas, a simulação das aplicações começa nesta semana. A ministra já havia avisado que seu plano era ficar na capital entre quinta e segunda-feira, para amenizar o impacto em sua agenda ministerial. As primeiras sessões devem coincidir, por exemplo, com a vinda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à capital paulista, prevista para amanhã.EXPOSIÇÃODesde o início do ano, o PT paulista tentava sem sucesso organizar um ato com a presença de Dilma em São Paulo. Os planos foram prejudicados em grande parte pelo diagnóstico do câncer, que a levou a desacelerar a agenda durante a quimioterapia. Em pelo menos duas ocasiões, o partido teve de cancelar atividades na última hora. Além disso, o próprio presidente orientou, pelo menos uma vez, petistas paulistas a adiarem a proposta de trazer Dilma para eventos partidários em São Paulo. Lula não queria alimentar discursos de antecipação da campanha de 2010, na esteira das representações levadas pelo DEM e pelo PSDB à Justiça Eleitoral em fevereiro. O quadro acabou mudando depois que o TSE rejeitou os argumentos dos partidos de oposição e arquivou as consultas.Nas caravanas, Dilma teve a ajuda de estrelas do PT para tornar seu nome mais conhecido, como o da ex-prefeita Marta Suplicy. Antes do encerramento, no dia 8, o PT fará a penúltima caravana no ABC paulista, berço político de Lula.

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